Estar apaixonado sobre 50

Ela: Quais sinais um homem dá quando está apaixonado? Bem que você podia perguntar isso pros leitores lá do seu site? Eu: Tá bom, vamos perguntar então. Ela: Sério! Eu: Aham.--Vou montar uma lista e atualizar esse artigo em tempo real baseado nos comentários de vocês, até termos 50 indicadores de paixão por parte de nós, homens. Estar apaixonado sempre traz para a pessoa fenômenos cômicos em meio também aos trágicos; e ambos porque a pessoa apaixonada, possuída pelo espírito da espécie (instinto), passa a ser dominada por esse espírito e não pertence mais a si própria. Como mencionado anteriormente, quando se está apaixonado, acontecem certas mudanças importante no cérebro das quais você não é consciente. O primeiro ponto trata-se da mudança química cerebral e por isso, os níveis de certos neurotransmissores como por exemplo, serotonina, oxitocina, dopamina, adrenalina entre outros, se alteram. 25/jun/2020 - Explore a pasta 'Amor apaixonado' de Ursula Altmann Garcia no Pinterest. Veja mais ideias sobre Amor apaixonado, Amor, Frases apaixonadas. Vitão faz brincadeira sobre estar apaixonado e fãs comentam: Esperando o comentário da Luísa Sonza O cantor dublou um áudio do Tik Tok. Da Redação Ela te faz feliz mesmo longe de você. Isso é raro, hoje em dias as pessoas só se preocupam com a presença física. Quando é de verdade, não precisa estar o tempo todo ao lado, não é preciso ficar o tempo todo agarrado, ver todos os dias. Até porque o que é pra ser verdadeiro não é feito ... Infelizmente, estar apaixonado geralmente não dura para sempre. É um estado impermanente que ou evolui para um relacionamento codependente de longo prazo, que os psicólogos chamam de “apego”, ou se dissipa – neste último caso, o relacionamento se dissolve. 24/mai/2019 - Explore a pasta 'Imagem coração apaixonado' de Vaniadasilva Silva no Pinterest. Veja mais ideias sobre Imagem coração apaixonado, Quadros com frases, Quadros decorativos com frases. Um homem apaixonado não é só capaz de liberar espaço no guarda-roupas dele ou no quarto, como está pronto para te abrir espaço na vida dele para que o relacionamento cresça e vocês evoluam juntos. 33 – Ele conhece seus gostos. Um homem interessado procura estar à par das suas preferências, saber de tudo o que você gosta e te deixa ... Ou seja, ninguém está livre de passar por essa sensação maluca e, ao mesmo tempo, deliciosa. Abaixo, reunimos 50 frases de apaixonado que você poder usar para compartilhar com seu amor, mandar aquela indireta nas redes sociais ou apenas refletir sobre a paixão, um dos sentimentos mais intensos da vida.

Cocheira para cavalo ideal: camas tradicionais x pisos emborrachados

2020.09.23 20:44 Vedovati_Pisos Cocheira para cavalo ideal: camas tradicionais x pisos emborrachados

Escolher a cama adequada para as baias de equinos sempre foi um desafio para quem tem e ou cria cavalos. Além de pensar no conforto e o bem estar do animal quando estiver na cocheira para cavalo, outros pontos precisam ser considerados.
Dentre eles, o custo e a disponibilidade do material para a cama, assim como a manutenção e limpeza das baias dos cavalos
Garantir uma baia limpa, confortável e com uma boa cama é fundamental para manter a saúde e bem-estar do animal. O que é o objetivo é apaixonado por cavalos.
Neste artigo, trazemos um comparativo entre as camas tradicionais (maravalha, serragem, areia, cascas de arroz) e as camas de borracha (pisos/estrados emborrachados). E mostrar qual delas é a cama ideal em uma cocheira para seus cavalos.

Cama de maravalha

Vamos começar nosso comparativo de camas de cocheira para cavalo com a mais tradicional delas, a cama de maravalha.
Baias/cocheiras com maravalha é muito popular em haras e nas hípicas do sul e sudeste, e milhares de criadores e ou apenas proprietários utilizam ao montar uma cocheira para seus cavalos. A maravalha tem como pontos positivos ser macia.
Mas é preciso ficar muito atento a cocheira do cavalo quando se utiliza maravalha ou outros materiais tradicionais. Os cavalos podem afastar a maravalha, assim como os outros materiais de camas tradicionais, para o lado e deitar sobre o contrapiso duro e áspero e ao se levantar machucar os curvilhões.
Um cenário que pode prejudicar o cavalo, pois ele pode ferir os seus cascos por conta do contato entre a pata e o contrapiso de concreto.

Cama de areia

Outra cama tradicional para cocheiras é a cama feita com contrapiso e forrada com areia.
Ela consiste, geralmente, em uma cama que possui um contrapiso na baia do cavalo com um forro de 30 a 50 cms de areia de rio, muito comum nos estados do nordeste. Um detalhe é que praticamente todos os tipos de camas tradicionais para baias de cavalo são feitos assim.
Um contrapiso de concreto com 30 a 50 cms de cobertura do material específico.
Voltando a cama de areia, ela tem em suas vantagens:
• Praticamente gratuita (em geral paga-se apenas para o funcionário trocar a areia da baía);
• Macia e natural para os cavalos deitarem.
No entanto, a cama de areia esconde diversos riscos para os cavalos.
Um deles é a possibilidade do cavalo ingerir a areia vir a ter cólicas em função disso. Um tipo de cólica que ocorre quando animal acaba ingerindo areia. A areia se deposita, por ação da gravidade, nas partes inferiores do intestino do cavalo, e ela não deslocada posteriormente.
E isso pode causar dores crônicas assim como tornar a absorção intestinal do cavalo insuficiente.
Além disso, a areia também pode ficar com um cheiro desagradável por conta da absorção de urina e fezes do animal. Juntando moscas e deixando o cavalo desconfortável na cocheira.

Cama de casca de arroz

A palha ou casca de arroz também é um material usado nas camas tradicionais de cocheiras para cavalos.
A cama é bem sequinha e agradável para o animal, mas é preciso que o criador fique atento pois a casca ou palha de arroz também tem suas desvantagens. Como o fato de que a casca de arroz não ser capaz de absorver a urina do cavalo.
Uma delas é que o material pode causar irritações no sistema digestivo. Ou seja, estômago e intestino do cavalo podem ser afetados por conta da palha ou casca de arroz.
O que faz dela uma opção razoável de cama para cocheira para cavalo, mas que não é a ideal.

Cama de serragem

Uma outra cama tradicional para baias de cavalos é a feita com flocos ou pó de serragem.
A cama é bem macia para o animal e é bem absorvente também. O que agrada criadores que querem oferecer mais conforto aos seus animais do coração. No entanto, é preciso ficar de olho nos perigos a saúde dos cavalos que a serragem oferece.
O pó de serragem pode causar irritações nas vias respiratórias dos animais, que pode desenvolver alergias respiratórias nos cavalos. Inclusive, quando o contato é constante com o pó de serragem o cavalo pode desenvolver a ORVA – Obstrução Recorrente das Vias Aéreas.
Portanto, mesmo sendo um bom material, a serragem ainda não é a cama perfeita em uma cocheira para cavalos.
A cama de serragem é também conhecida como uma das que mais dá trabalho para comprar pois mesmo fornecedores competentes vira e mexe atrasam na entrega. Sem falar em outros problemas que podem acontecer quando se precisa comprar serragem, como a falta do material em estoque por exemplo.
O que prejudica o cavalo que fica temporariamente sem a cama, e o criador que precisa buscar o quanto antes uma solução de emergência.
Acabamos de cobrir quatro tipos tradicionais de camas para baia/cocheira de cavalos. Todas possuem seus pontos fortes, mas tem suas desvantagens.
Vamos conferir agora as camas, estrados ou pisos emborrachados aplicados em cocheiras e ou baia para cavalo.

Estrados de borracha: a melhor cama para cocheira de cavalo

Os estrados de borracha são uma alternativa moderna entre camas de cocheira para seu cavalo. E é com certeza uma das melhores, senão a melhor, das camas para baias de cavalo.
Essa cama consiste em placas de estrados de borracha que são colocadas sobre o contrapiso da cocheira do cavalo. A grande vantagem da cama de borracha é que ela pode reduzir de 80 a 100% da cama tradicional, pois pode utilizada sem cama tradicional por cima e também pode ser formada com uma pequena camada da cama tradicional .
Também é possível combinar uma cama tradicional e a cama de borracha, distribuindo elas na cocheira do cavalo. Ou ainda utilizar unicamente a cama de borracha, algo que já é feito por 80% dos clientes adeptos a cama emborrachada da Vedovati.
Bons estrados emborrachados são a melhor alternativa para camas de cavalos por conta de suas várias vantagens.
Continue lendo para conhecer as vantagens de uma boa cama de borracha ou piso emborrachado como costuma ser chamado..
Algumas vantagens do estrado emborrachado Vedovati como cama ideal para o seu cavalo
Saiba agora porque toda boa cocheira para cavalo precisa ter o estrado de borracha da Vedovati.
Para começar, é um piso muito fácil de instalar e que possui alta durabilidade e vida útil. Os estrados de borracha para cavalos da Vedovati duram cerca 6 a 10 anos em perfeitas condições, isso quer dizer que é um investimento com retorno garantido.
Criadores de cavalos apaixonados por seus animais sempre estão preocupados com a saúde deles. E sabem o quanto a saúde do cavalo depende da higiene de sua cocheira e de uma boa cama.
Os estrados de borracha da Vedovati possuem drenagem automática da urina, e isso evita acúmulo de urina na cocheira. O que por tabela evita que o animal fique exposto a cheiros desagradáveis e o odor forte da amônia na cama e moscas, garantindo mais saúde e bem-estar para o animal.
Também é uma cama muito fácil de ser limpa, a manutenção da cama do seu cavalo será bem mais fácil e rápida. Basta diariamente remover as fezes dos cavalos e bater um jato d’água. Possibilita uma higienização eficaz já que pode ser usado desinfetantes como o desinfetante hipoclorito de sódio como barreira sanitária e ou creolina.
Nossas camas emborrachadas também protegem seu cavalo de doenças respiratórias e alergias (diferente das tradicionais que podem causar). Ou seja, animal mais saudável e economia com a compra de remédios com uma simples ação.
O casco do seu animal também é protegido. Como o estrado de borracha é antiderrapante, o risco de o cavalo escorregar é praticamente zero. O animal também não consegue afastar o piso de borracha para o lado, e assim não tem contato direto com o contrapiso que pode causar lesões nas patas e nos curvilhões
É bem macio e não estressa o animal na hora de dormir. Além disso, ainda tem um bom controle de temperatura para manter cavalo bem aquecido sempre.
Esses e outros benefícios fazem com que as cama ou estrados de borracha Vedovati sejam a opção certa quando for montar a cama da cocheira do seu cavalo.

Conclusão

Você agora sabe como as camas tradicionais para baias de cavalos podem, longe de entregar vantagens, complicar a saúde e bem-estar do seu animal.
E também sabe como o piso emborrachado certo pode ser a melhor opção de cama na sua cocheira para cavalo. De modo que seu animal tenha o conforto e saúde que ele merece.
Os pisos emborrachados não trazem problemas e dores de cabeça como os que as camas tradicionais causam. Como é o caso da dificuldade para comprar materiais como a maravalha, serragem, areia, casca e palha de arroz, cujos preços (custos) sempre estão aumentando e precisam de troca recorrente.
Isso sem falar que nas nas baias com camas tradicionais por mais cuidados que seja o tratador a sempre terá umidade e cheiro de urina. E é praticamente impossível toda vez um cavalo urinar recolher o monte de maravalha, areia ou serragem com urina.
O que aumenta muito o trabalho com manutenção da cama da cocheira para cavalo, fora o tempo gasto que também é maior.
E que você deseja para ele é claro, como é o caso com todo criador que ama e deseja o melhor para seus animais.

Garanta mais saúde e bem-estar para o seu cavalo com a cama certa para a cocheira

Agora, não adianta contar com qualquer piso de borracha para as baias dos seus cavalos. É essencial que elas tenham uma cama de borracha qualidade e que sejam desenvolvida pensando atender a todos os requisitos e sob padrões rígidos para fornecer mais saúde e conforto para os cavalos.
E a Pisos Vedovati é o local certo para encontrar a cama de borracha ideal. Desde 1997 no segmento de pisos e camas de borracha para equinos e outros segmentos, a Vedovati é certeza de qualidade.
No link abaixo, você pode saber todos os detalhes sobre as nossas camas de borracha para baias. Aprovadas por personalidades criadoras de cavalos, como o cantor Rio Negro da dupla Rio Negro & Solimões.
➥ Quero saber tudo sobre a cama de borracha para baias Vedovati agora mesmo

https://www.vedovatipisos.com.bnoticias-artigos/cocheira-para-cavalo/
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2020.08.17 02:59 gimme-that-potato Uma das melhores decisões que tomei foi começar a tomar remédio para depressão

Olá, meus queridos.
Como o título sugere, venho aqui compartilhar minha experiência, pois acredito que possa acabar ajudando alguém aqui. No mais, vou poder pôr algumas ideias em ordem e poder dar uma desabafada. Tentarei ser breve, mas sei que não vai rolar rs, e acredito que meu texto não será tão linear.
O negócio é o seguinte: nunca fui apaixonado pela vida, de modo geral. Sempre fiz minhas coisas e tudo mais, mas essa tendência já me fez ficar para baixo (talvez algumas vezes depressivo) em algumas partes de minha vida. Nada disso me impediu de viver normalmente, sentir alegria, felicidade, paixão, correr atrás do que gosto, etc.
Acontece que ano passado estava em uma época braba. Havia terminado a faculdade, saído do emprego para prestar um concurso que não passei, e estava desempregado. Porra, estar desempregado é foda. A sensação de ficar em casa sem produzir é péssima.
Chegou uma hora que quis me cortar. Nada de suicídio, e nunca acreditei que pudesse fazer isso (apesar de estar com a constante sensação de querer nunca ter nascido), mas não deixa de ser um sintoma bem preocupante. Quando comecei a me dar uns pequenos cortes (escondidos), entendi que era hora de voltar pra terapia. Voltei para a mesma psicóloga que conheço há uns anos e confio bem.
Cabe aqui fazer um parênteses sobre depressão: há vários jeitos de melhorar esta doença. Contudo, tem um estudo recente que analisou a mistura entre dois tratamentos variados (ioga com psicólogo; meditação com psiquiatra; prática de esportes com meditação; etc.), e a melhor combinação de tratamento encontrada foi: acompanhamento psicológico junto com psiquiátrico. Não significa que tem que deixar outros tratamentos de lado, mas essa foi a melhor fórmula comprovada para combater.
Outra coisa: se você quer buscar um psicólogo, o que super recomendo, não importa a linha que ele ou ela segue. Freud, Lacan, Jung... nada disso importa. São ferramentas elaboradas para chegar em um mesmo objetivo. O que importa é você encontrar alguém que você vá com a cara. Alguém que você confie em desabafar. Não adianta conversar com um psicólogo pica das galáxias se você não se sente à vontade com ele.
Enfim. Começando a terapia, comecei a perceber diversos outros sintomas. Já não estava com a mesma concentração de antes. Me perdia no meio de frases. Estava me desconectando do mundo. Até atividades mais prazerosas estavam soando trabalhosas ou cansativas demais para mim. Meu prazer em coisas comuns, como comer algo bom, estava diminuindo. Foi a primeira vez que minha psicóloga sugeriu eu procurar um psiquiatra para me ajudar.
De início me senti mal, pois nunca tomei remédios para a cabeça. Mas depois veio um certo alívio: eu simplesmente estava doente, como uma gripe, e talvez precisasse só tomar um remédio. Você tem ideia de como é um alívio entender que sua mente te prega peças, e o motivo de você estar mal pode ser simplesmente algo fora de seu controle? Como uma mera desregulação hormonal, ou falta de algum receptor no cérebro, algo assim.
Falando com o psiquiatra, ele me passou um remédio relativamente novo, que, a grosso modo, estimula a produção de receptores de certos neurotransmissores na minha cabeça. Em outras palavras, ele estimula o cérebro a "captar mais prazer", ao invés de criar o prazer em si (como uma droga ilícita geralmente faz). Tanto é que é um remédio de tarja vermelha, e que não vicia (apesar de dar efeitos colaterais).
O início do tratamento foi bem ruim. O primeiro efeito colateral era a sensação de estar sonhando, ou na beira de uma grande ansiedade. Como se eu estivesse caindo, mas aquela sensação de "estar caindo" tivesse durando minutos. Isso me fez aprender a deixar rolar, sabe? Eu sabia que era um efeito do remédio, então não podia fazer nada, senão deixar acontecer, seguir com a maré. Eu diria até que eu pude aproveitar minha ansiedade. Sentia que era o remédio que me causava essa aceleração, mas que era ao mesmo tempo ele que me possibilitava ter esse "freio".
Outro efeito ruim foi o sono. Na verdade era mais uma vontade incontrolável de bocejar em si do que sono.
Como um outro possível efeito era falta de libido, óbvio que nos primeiros dias a primeira coisa que fui testar foi a masturbação. Confesso que foi bem difícil chegar no orgasmo, parecia que eu ia criar fogo com as mãos hehe. Por outro lado, um tempo depois minha libido até melhorou, pois minha depressão me fazia não querer buscar sexo. Minha namorada me apoiou durante tudo isso e entendeu, quando conversamos, que o sexo poderia piorar, o que felizmente não ocorreu.
Depois esses efeitos melhoraram (acredito que em até 2 semanas). O de sono e bocejo passou por completo, assim como o da ansiedade. Eu sentia que o remédio era um freio para minha ansiedade. Se eu fosse um carro, era como se o remédio colocasse uma trava na velocidade máxima. Sentia ele me ajudando.
Uma coisa que demorou para melhorar foi meu fluxo intestinal. Estava acostumado a ir ao banheiro todos os dias, às vezes até duas vezes (aqui cabe ressaltar que sou homem e, quando comecei a tomar o remédio no ano passado, estava com 26 anos). O remédio me fodeu com isso. Comecei a passar uns dias sem ir ao banheiro, ou ficar totalmente desregulado. Hoje, meses depois, isso já melhorou 100%.
Umas semanas depois comecei a ter um pouco de insônia, que até hoje vem e volta, mas nada que me atrapalhe.
Mas nada disso chega perto ao que o remédio me proporcionou: a capacidade de sentir prazer banal, no dia a dia, como ao ver um pôr-do-sol, ouvir uma música foda, ou comer algo gostoso. Hoje nem parece que eu tomo remédio. Faz parte da minha rotina: eu acordo, tomo meu comprimido, meu café, e sigo com o dia. Às vezes penso que deveria ter buscado um psiquiatra antes.
Claro que o tratamento é temporário. Eu sinto um pouco de falta de poder "curtir mais minha angústia" quando não tomava remédio, pois isso me ajudava a compor música ou escrever algo. Hoje me sinto melhor sabendo que estou mais pronto para terminar o tratamento (que demora no mínimo 6 meses, se não me engano até 2 anos). Também sei que, se voltar a ficar mal daquele jeito, tenho mais ferramentas para usar ao meu favor.
Se você está mal, não tenha vergonha de procurar um psiquiatra. Não coloque barreiras que não existem. Se você estivesse com febre, você iria no médico. Pode ser que sua depressão seja simplesmente uma reação física de seu corpo, e não uma mera falta de vontade (aliás, acho que nunca é, pois vontade de estar bem todo mundo tem). Até porque, uma pessoa com a vida 100% boa pode sofrer de depressão. Como falei, pode ser por algo idiota, como uma desregulação de seu corpo, algo hormonal, etc.
Pense nos remédios como uma rodinha extra numa bicicleta: ele vai servir de apoio para seu cérebro reaprender a andar sozinho, e, então, quando estiver pronto, vai poder andar ser as rodinhas.
Uma questão é que eu dei sorte. Um dos meu melhores amigos demorou uns bons anos para encontrar o remédio certo para ele. Ele tentou de tudo, várias terapias, e finalmente achou esse remédio (que é o mesmo que o meu, por coincidência), junto uma terapeuta de confiança. O cara até conseguiu assumir ser gay e hoje está namorando e feliz em um relacionamento, o que me deixa muito feliz.
Quando compartilhei essa história com outro amigo, ele confessou que estava tomando remédios para a ansiedade. Ele disse que era incrível poder sentir o prazer do presente ao andar de ônibus.
Comecei um trabalho novo em janeiro, e venho enfrentando altos e baixos por conta do isolamento da pandemia (não estar fazendo exercício vem ferrando com meu corpo). Mas sei que hoje tenho mais recursos para me cuidar. Ainda tomo remédio e faço acompanhamento psiquiátrico, e parei com a terapia pois não queria fazer online, embora eu ache que volte logo menos e faça por videochamada mesmo.
Enfim, espero ter ajudado alguém, ou ao menos estimulado a empatia, caso conheça alguém que esteja depressivo, ou com receio de começar a tomar remédios. Sempre fui muito mente aberta com muita coisa, inclusive terapia e psiquiatria. Mas ainda dava uma julgada com quem "parecia bem" e mesmo assim estava tomando remédio. Hoje vejo isso com mais empatia, pois nem todo mundo que parece bem está de fato bem. Quem sou eu para saber o que o outro sente, quando às vezes nem eu mesmo sei dizer o que sinto...
Se você tem algum amigo com depressão, ofereça seu apoio. Não julgue. Quando puder, insista na amizade. E não vomite suas próprias histórias. Não fale que "é falta de vontade", ou que é "frescura", ou que você conhece um "óleo essencial" para depressão. Às vezes a pessoa só precisa de alguém para desabafar, ou ao menos saber que você está lá para ela (como eu estive para esse meu grande amigo). Apesar de a tristeza poder ser um sintoma da depressão, depressão não é tristeza. Depressão é o oposto de vitalidade.
Por fim, deixo como dica de leitura o que acredito ser uma espécie de "guia definitivo" para a depressão (só não digo "definitivo" pois é uma área da ciência em constante evolução, e, CARAMBA, como eu sou grato por nascer nesta nossa época e não há 50 ou 100 anos, quando havia muito mais estigma e muito menos remédios...). Trata-se do livro O Demônio do Meio-dia, de Andrew Solomon. É um documento jornalístico que conta a história, em primeira pessoa, do escritor e sua luta para entender a própria depressão e a Depressão em si como doença. Nele há muito sobre questões emocionais, como os diferentes remédios funcionam, como a depressão afeta diferentes grupos de diferentes formas, etc. Foi o que me ajudou para ganhar conhecimento e lidar melhor com esse meu amigo (e, depois, lidar comigo mesmo). Esse mesmo jornalista faz um TED Talk muito bom aqui.
Obrigado a quem teve o saco de ler até aqui. Não sei se vou responder todas mensagens, mas tentarei. Se tiverem alguma dúvida, será um prazer tentar ajudar na medida do possível. Um grande abraço e tenha uma boa noite!
Edit: o remédio é Venlafaxina.
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2020.07.24 20:53 jogaforadesabafo Tentando postar novamente

OBS: Eu havia tentando postar isso há um bom tempo, entretanto, por algum motivo foi considerado spam pelos filtros do Reddit e acabou que não consegui conversar sobre isso com ninguém. Estou tentando novamente...
Eu não queria que esse texto ficasse demasiado longo, já que eu estou postando por querer "feedback" e sai o quanto um texto gigante dificulta isso, mas não vai ter jeito. Então vou tentar fazer um tl;dr no inicio para facilitar.
tl;dr: Estou em um relacionamento à distância, planos iniciais eram de que ela viesse para onde estou, pois ela tem a possibilidade de continuar recebendo sem estar trabalhando, além disso a cidade onde vivo é melhor, mais tranquila, mais segura e etc, qualidade de vida. Ainda, aqui tenho uma família unida e que faria tudo por nós (ao contrário de onde ela está onde a família dela é toda distante e cheia de problemas entre si). Ocorre que o mundo da voltas e ela não quer mais vir, quer que eu vá.
Bom, eu vou tentar não dar muitos detalhes para preservar nossas identidades, então algumas coisas podem acabar ficando vagas, mas vou tentar me fazer entender.
Eu tenho um relacionamento a distância com uma pessoa, começou em 2018, nós já nos conhecíamos a muito tempo e nos encontramos e deu no que deu. Nós nos encontrávamos a cada dois meses, mais ou menos, já que moramos em extremos diferentes do país.
Ela tem uma empresa na cidade em que mora (capital do norte do país), a empresa está crescendo bastante e já quando começamos a nos relacionar sabíamos como essa empresa essa promissória. Acontece que, como toda capital e, em especial, como qualquer capital do norte a cidade tem níveis astronômicos de violência, desigualdade e todos os outros problemas que se espera, enquanto isso eu vivo em uma cidade do sul do país que possivelmente esta entre uma das mais desejadas para se viver, com IDH elevado, a uma boa distância da capital (nem muito longe, nem muito perto), boas escolas e etc.
Eu acabei não falando isso antes, mas eu sou um pouco mais jovem que ela, estou me formando agora, entretanto, há de se notar que, apesar de eu estar me formando agora, como a cidade é pequena e eu sempre estive envolvido em estágios, além de ser de uma família mais ou menos conhecida, eu tenho certa facilidade para me inserir no mercado de trabalho daqui. Na verdade, eu estou em um estágio que está pagando bastante bem, e vou me tornar sócio ao me formar (não é empresa familiar, é fruto de esforço e empenho mesmo).
Enfim, no inicio o plano era de que ela viesse para cá e continuasse recebendo os lucros ou vendesse a parte dela da empresa para abrir outra aqui. Acabou que ficamos com a primeira opção, dado o crescimento da empresa.
O problema é que agora, a poucos dias, ela chegou a conclusão de que não é o momento de abandonar a empresa, pois está crescendo muito e ela acha que não seria certo. Na minha cabeça é o momento perfeito, justamente pela empresa estar crescendo, ela estaria auferindo uma boa renda com o lucro, além da empresa já estar na trilha certa, além do mais eu estaria encaminhado onde estou e teríamos todas as vantagens da cidade com uma boa renda.
Durante o período do nosso relacionamento nós chegamos a ter esse plano de eu ir para lá, mas acabou não dando certo, foi um momento muito complicado da minha vida com perda de um ente muito muito querido, eu estava parando de fumar, um tanto desnorteado e quando cheguei lá tive uma crise de abstinência misturada com a crise existencial e tudo mais e acabei desabafando que eu não queria ficar na cidade dela, que me sentiria inútil já que não conseguiria me inserir no mercado de trabalho, que não via justificativa para nos submetermos a isso por causa de dinheiro (ela ganha bem lá, digamos que como sócia ela ganharia apenas 50% do que ganha agora trabalhando, para mim isso é mais do que o suficiente para vivermos bem aqui), a família dela é completamente distante entre si, desunida, cheia de brigas e problemas, o completo oposto do que teríamos aqui onde vivo agora.
O problema é que novamente ela chegou a conclusão de que não tem jeito, que ela não pode vir, que seria burrice, que não faz sentido. Ela gosta de falar as vezes que "não pode largar tudo por macho", por algum motivo ela acha que se seguir apenas como sócia (ela tem 50% da empresa) ela vai perder algo. Isso me machuca bastante, pois eu não consigo ver isso, não faz o menor sentido, ela sempre vai ter a empresa lá, vai sempre ganhar dinheiro, a empresa vai continuar crescendo do mesmo jeito, ela ainda iria para lá de tempos em tempos para trabalhar e resolver as coisas da empresa. Por um bom tempo o plano era esse e tudo parecia plenamente razoável.
Ainda, se eu for ao invés dela vir é basicamente suicídio da minha carreira profissional, além do que lá eu certamente não conseguiria me inserir no mercado como já estou aqui. Se ela vir para cá segue como sócia e caso aconteça algo e precise voltar não perdeu nada, segue tudo igual como se nada tivesse acontecido.
Ela está decidida. Eu vou ou nós seguimos desse jeito, nos vemos quando dá, até onde o relacionamento aguentar, pois ela acha que para vir definitivamente só daqui 3 ou 5 anos.
Eu não sei lidar com isso. Eu sou perdidamente apaixonado por ela, de verdade, mas eu me sinto encurralado, sem saber o que fazer. Cada vez que eu leio ou ouço ela falar sobre "largar tudo por causa de macho" um pedaço do meu coração é arrancado.
Ela tem um filho de uma relação passada, toda a minha família o adotou, junto comigo, obviamente. A minha cidade seria muito melhor para ele, ele estava realmente empolgado de vir, eu já estava escolhendo escola para ele, enfim...
Se eu for para lá agora eu não sei quando voltaremos. A verdade é que eu sinto que quanto mais o tempo passar, quanto mais a empresa crescer, quanto mais ela ganhar, menos ela vai querer vir. Eu não consigo ver a justificativa disso, de que adianta ter dinheiro e viver em um lugar horrível?
Além do que eu não vou conseguir me inserir no mercado de trabalho de lá, não vou me adaptar a uma cidade como aquela (eu tenho certos travamentos, eu sempre disse que jamais viveria numa cidade dessas, eu não sei lidar com a violência, a distância entre tudo, as pessoas, enfim...). Eu sinto que vou voltar a ser uma criança dependendo da mãe para tudo. Tendo que pedir dinheiro para fazer minhas coisas, sinto que vou estar a merce das vontades dela, sendo obrigado a fazer o que ela quiser.
Ainda por cima vou largar minha carreira onde me encontro, perder a possibilidade da sociedade que mencionei antes e, para ser sincero, perder qualquer projeção aqui, sendo que quando voltarmos é bem improvável que eu vá conseguir me inserir novamente.
Ela diz que eu deveria estudar para concursos enquanto estiver lá, já que teria tempo livre, mas eu não me interesso por nenhum cargo público. Apesar da minha graduação abrir portas para vários, eu pretendia me manter como profissional liberal, sempre foi o que eu quis desde o início da graduação.
Enfim, eu não sei o que fazer, provavelmente ninguém vai responder aqui já que o texto ficou enorme, mas eu queria tentar conversar sobre isso com alguém e é difícil para mim, eu não tenho muitos amigos, sou tímido e não gosto de incomodar eles com essas coisas.
Para completar, ela passou 15 dias comigo agora a pouco tempo e reclamou várias vezes de como estava desperdiçando as férias, já que não estávamos fazendo nada (eu estou trabalhando, não estou de férias e devido a pandemia a maior parte das coisas da cidade está fechada).
Ele teve crises de ciumes por causa da minha cunhada, brigou bastante comigo por N motivos, fica tentando fazer uma espécie de chantagem emocional para que eu vá, mas não aceita nenhum diálogo no sentido dela vir. Fica insistindo o tempo inteiro falando que eu tenho que fazer concurso para cargo X ou Y sendo que nem ao menos há a menor programação para abertura de editais para esses concursos.
tl;dr: Relacionamento à distância, ela viria para a minha cidade, já que é sócia de uma empresa (que manteríamos como investimento e pela segurança dela caso não desse certo), mudou de ideia e quer que eu abandone tudo (não tenho como me ausentar com a segurança que ela teria), vire dono de casa e concurseiro. Não aceita dialogar, tem brigado comigo, reclama que todas as vezes que me visitou foi desperdício das férias que poderia estar viajando para outro lugar. Não sei o que fazer.

Me perdoem pelo texto ridiculamente grande, eu não tenho com quem fazer esses desabafos normalmente.
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2020.04.15 23:18 Cypher_Hasher Triskelions?

[5:03 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: faria sentido cogitar uma bipolaridade sexual o.o?
[5:08 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Não entendo o suficiente para fazer essa análise, mas não me parecem sistemas comparáveis
[5:09 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: A bipolaridade diz respeito à incapacidade fisioquímica de sustentar o estado de espírito, a sexualidade corresponde à anatomia das estruturas psicológicas.

Um é o projeto do reator, formato e tipo, o outro é simplesmente se as válvulas são bem apertadas, se ele é bem regulado.
[5:10 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Tanto que bipolaridade é interferível com drogas e no futuro ainda mais, com tratamentos bem mais invasivos, tipo autômatos de escala nanítica. Sexualidade não.
[5:11 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Pra você estar gay e depois estar hétero precisaria de uma plasticidade cerebral enorme
[5:12 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: O que eu chutaria é que a estrutura do desejo e a estrutura do gênero são peças montadas com o Lego do cérebro - em larga parte elas são afetadas e direcionadas pela evolução humana - o que as molda e amadurece durante o crescimento.
[5:13 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Na minha hipótese, o desejo e o gênero que 'parecem' flexíveis a olho nu, são na verdade uma estrutura instruída ou montada de forma a "transpassar" estruturas mais comuns...
[5:15 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Extrapolando esse chute, em qualquer forma de sexualidade, o gênero como a raiz da sexualidade, as formas de desejo como o tronco do comportamento sexual, também são grossos e difíceis de alterar.
[5:15 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Eles só possuem forma diversa
[5:15 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Com vias de seiva para mais lados do que os gêneros menos 'aparentemente flexíveis'
[5:16 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: saquei
é

faz sentido
[5:16 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Mas estou pensando isso aqui agora, altamente ad hoc
[5:16 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: dá uma conversa boa isso aí
[5:18 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: mas faz sentido mesmo

tipo

tava viajando
pq rolaram umas coisas loucas aqui em casa
e eu estava refletindo sobre a flutuação do meu desejo
tem épocas que fluo sem problema algum com a Berenice
e tem épocas que me fecho apenas em masturbação pensando em cenas homoafetivas....
[5:19 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Hehehehe
[5:19 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Mas tem muito ruído aí na cena
[5:21 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Quando a Berenice toma decisões que você considera não inteligentes ela com certeza fica menos sexy - comportamento normal, inteligência é algo sexy porque favorece a reprodução e sobrevivência dos gens, coisa que estamos altamente adaptados a selecionar.

Se você invés disso tem tesão em pessoas dependentes, então ela fica menos sexy quando toma decisões que lhe dão autonomia na vida.
[5:21 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Não sei a quantidade de conhecimento real e teórico você precisaria ter para cotar os ruídos da vida cotidiana, é por isso que a ciência exige certo distanciamento.
[5:23 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: o.o
[5:23 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: heheheh
[5:23 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: isso foi um tipo de ruído que eu pensei, imagina quantos você consegue pensar
[5:24 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: é, eu sei q sou uma salada de demissexualismo com sapiossexualismo
mas não tinha pensado dessa perspectiva
[5:24 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: saber que eu sou pode ser mto forte falar XDDDDD
[5:24 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: mas é o q parece
[5:24 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: hahaha
[5:24 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Pois é sapiossexualismo é tesão na inteligência né?
[5:25 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: e como tendo a me sentir intimidado sempre que sinto q algo é esperado de mim, tendo a me sentir bem intimidado por mulheres, com raras exceções em cenários específicos
[5:25 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: sim
[5:25 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Eu tinha trazido esse termo pra uma conversa um tempo atrás, aí abriram minha cabeça para esse ponto de que tudo (boa parte) do que achamos sexy é na verdade uma manifestação da inteligência.
[5:27 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Interessante isso. Eu me sinto intimidado (não é bem isso, tem outro termo mas não sei qual é ao certo) por algumas raras mulheres. Não sei se é um mecanismo de defesa. Mas essa intimidação afeta a sua vida com a Berenice?
[5:27 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: ás vezes sim
[5:27 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: olha só
[5:27 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: outra coisa interessante

já entendi que é bem frequente eu me sentir menos q ela
[5:29 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: e é daí q surge minha intimidação
[5:29 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: pq eu não relaxo
[5:29 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: parece q fico em um fight or flight etenro até que acabe
[5:29 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: eterno*
[5:30 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: mas aí noto, a partir disso, que sinto isso com mtas outras coisas na vida
[5:30 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: e por isso gosto de me sentir "outsider"
me dá coesão o suficiente para existir com o grau de deslocamento que eu reconheço que me aplico
[5:31 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Você está dizendo que sua tara na atmosfera outsider é desculpinha pra não lidar com demônios internos?
[5:32 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Uma vaidade pra esconder verdades?
[5:32 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Um escudo contra o desalinhamento?
[5:33 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: Não
acho que é o caminho para eu não sentir que estou deixando de ser eu em meio a essa merda toda ._.
[5:34 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: autotraição
[5:34 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: quem nunca
[5:35 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: desenvolva o.o
[5:35 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: A autotraição é igual a uma mulher simpática e linda
[5:35 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Seduz a gente fingindo de inofensiva
[5:35 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Mas não irá tolerar nossas fraquezas
[5:35 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Altamente carismática em público
[5:36 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: mas aí de você broxar entre quatro paredes
[5:36 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: achei uma cara mais apropriada
[5:37 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Se você está se acusando de estar fingindo pra si próprio que não está sendo outra pessoa por motivos externos a si mesmo, isso é traição
[5:37 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: é amar o outro mais que a si próprio
[5:38 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: acho interessante ela conseguir te intimidar no estado em que se encontra
[5:42 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: mas aí é q tá
eu estava sendo isso
eu estava me traíndo xD
a "tara" outsider me deu forças pra me expressar de novo
de me amar esquisito
de começar a conseguir ignorar o status quo
[5:43 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: hahah
[5:43 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: mas
[5:44 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: aí q eu te/me perguntou
estou defendendo demais?
[5:44 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Não consigo saber, mas com certeza ou eu intepretei isso errado ou você precisa colocar isso com mais clareza para si próprio
[5:45 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Qual o status quo que você está tentando ignorar?
[5:45 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Lembre-se que as pessoas são péssimas em dar conselhos - elas usam as palavras erradas como 'não se esqueça' invés de 'lembre-se disso'
[5:46 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Quando elas falam para ignorar o que os outros pensam, é um conselho inútil, não porque está errado, mas porque instrui errado.
[5:46 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: esse em q eu me sinto cobrado de todos os lados, mesmo sem cobrança nenhuma o.o
[5:47 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Você só ignora aquilo que não te diz respeito nem um pouco, aquilo que merece 0 atenção, que está superado ou que não possui nexo com sua existência.

Se um status quo te fere você jamais conseguirá ignorá-lo.

Você vai ter que destruí-lo.
[5:48 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: E destruir internalizações anti-idiossincráticas é ir fundo nos monstros da alma e assassinar um a um longa e duradouramente com muita discussão interna, argumentação e os subsequentes rompimentos e queimas de pontes na vida interpessoal
[5:49 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: gsus
isso vai dar trabalho então
[5:49 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: pq de fato
acho q ainda não coloquei claro para eu mesmo
[5:49 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Sim
[5:49 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: é labuta da mais árdua que existe a da alma
[5:49 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Exemplo: a pessoa só para de sofrer com o que seu pai emite politicamente quando ela 'desiste' de seu pai, quando ela o mata, quando ela permite se decepcionar.
[5:50 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Você só se livra de aflições enormes com tristezas enormes que desamarrem os elos afetivos que alimentam-nas
[5:50 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Libertar-se é morrer os outros dentro de si.
[5:50 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Libertar-se é solidão sem fim.
[5:51 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: é mto bizarro ler isso e entender qu ejá matei minha mãe, mas não meu pai
[5:51 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: hah
é quase se tivéssemos, nesse nível idológico uma existência parecida com batman e coringa
[5:57 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: oh boy
too old to rock, too young to die feelings
[5:58 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: seria essa sensação a vaidade juvenil não satisfeita gritando dos portões do bestiário da alma?
[6:00 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: catchau
[6:01 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: hah... nice
[6:01 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: eu tenho muitas dessas
[6:01 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Morgana me devolvia todas
[6:01 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Me fazia uma pessoa ainda pior tudo outra vez
[6:02 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: https://youtu.be/n3C04Ev1caQ ah thumbnail
[6:03 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Thumbnail está para o neon como o neon esteve para o outdoor
[6:03 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: total hah
[6:04 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: Morgana foi uma namorada?
[6:04 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Morgana foi minha quase morte
[6:04 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: eita o.o
[6:04 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: eeeeita
[6:09 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: o q não te mata te fortalece x.x(?)
[6:10 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: hahahhahah
[6:10 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: O que não te mata te deixa aleijado.
[6:12 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Surgiu uma canção aqui que eu não tinha ouvido antes, que é a narrativa perfeita desse aleijamento

https://www.letras.mus.bunlike-pluto/now-i-dont-care/
[6:14 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: E estava de graça [download link: https://soundcloud.com/unlikepluto/nowidontcare]
[6:14 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: sempre contando com Unlike Pluto pra deixar suas músicas de graça
[6:16 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker:
Where did I see a sign?
Where do I need advice?
Hey, is this by design?
Hey, that's fine
Wait, are you kidding me?
All the falsehoods and misery
All the bullshit and memories
Killing me


Essa aqui senhor
é uma puta faca atômica capaz de cortar a realidade, de tão afiada q soa
[6:16 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: hehehe bom artista
[6:20 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: . . . total

vlw por compartilhar
[6:21 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: ^^
[6:21 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: https://www.youtube.com/watch?v=by419Aul3Z8
[6:24 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: alguns ritmos soam como confissão
[6:25 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: pessoal do nightcore pega pesado
[6:25 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: procurando umas antigas aqui mas não estou achando as mais
[6:25 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: 'culpadas'
[6:27 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: hahah
vou guardar os links se vc achar, mas vou me poupar hoje
já torci facas o suficiente pra subir de novo pro terraço e chorar sob a luz de sírius
[6:28 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: vontade escrever uma percepção que tenho em forma de história
[6:30 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: pq não só gravar sua voz?
[6:30 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: há ciclos em ciclos na vida
a cada macro ciclo completo, os micro ciclos se repetem
a mistura perfeita de esperança e tédio, libertação e condenação

criar uma crônica de alguns textos que se chame triskelion
[6:30 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: fica aí o questionamento
[6:30 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: pq não xD
[6:31 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: pq não xD?**
[6:31 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: E vão rimar os versos?
[6:32 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: vou tentar pq acho do caralho a estética
mas se não sentir q vá dar conta (e não entenda isso como retroceder no primeiro obstáculo) não vou me privar de contar
[6:33 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: ah yes
[6:33 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: a dificuldade de versar
[6:33 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: não se prive, não se prive
[6:35 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: . . .
eis que lá vem o raio novamente
e já não quero deixar de tempestuar
quando digo que é um privilégio, meu amigo
é com a mais profunda leveza do amar

=]
[6:37 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Puta que pariu, revive o poeta!
[6:37 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: https://soundcloud.com/d3musmells-like-teen-spirit-demur-remix
E as vaidades juvenis o escutam
[6:37 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Taí algo que eu não tinha pensado
[6:37 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Posso morrer já
[6:38 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: escrevi há muitos anos minha masterpiece
[6:38 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: algo que jamais irei superar
[6:38 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: https://docs.google.com/---REDACTED---
[6:39 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Passou da hora de eu aceitar a quietude no meu coração
[6:40 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Já posso morfar-me em flor colhida
[6:40 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Flor que espera só murchar
[6:41 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: https://www.youtube.com/watch?v=VOeju9eMnuc
[6:46 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: qualquer coisa que eu disser pode vir a soar menos do que realmente eu gostaria de expressar
mantenho então, profundamente e com a mesma veêmencia

é um privilégio Hasher, do fundo de minha alma
[6:48 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: e... sei lá
ciclos
[6:49 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: vou parar de falar
pq há uma solenidade aqui espessa como manteiga
e soa injusto cortar
[6:52 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: hah! o privilégio é todo meu.
[6:52 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: vá escrevendo
[6:52 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: quero saber o triskelion
[6:54 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: =] é nosso então, pq sou teimoso

ow
[6:54 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: D
[6:55 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: é isso
3 ciclos que quando acabam reiniciam
a estética do triskelion é maravilhosa e marcou profundamente minha "quebra" inicial com status's quo's
[6:57 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: Há uma teoria kármica na visão wicca que estude na época que acreditava que a vida é uma espiral ascendente
e as situações no eixo Y se repetem, mas de forma mais "evoluída", quase como as fases pós bosses principais nos games do megaman
[6:59 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: me ocorreu uma ideia away do triskelion
[7:05 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: mas
vai da sua percepção sobre

vc me sugeriu e eu vou te sugerir de volta
já pensou em transformar um conto seu em audio?
[7:06 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: Vamos fazer
[7:06 PM, 4/14/2020] Cypher_Hasher: pode escolher qual
[7:09 PM, 4/14/2020] Holistic_Hiker: sou apaixonado com aquele que me lembra o ---REDACTED---
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2019.03.07 04:09 Leolenori AITA / EU SOU O C*ZÃO?

Essa história está me aborrecendo tem dias, e apesar de já ter tido alguns feedbacks eu gostaria de trazer para este sub.
ENTÃO PEGA AQUELA PIPOCA PQ LÁ VEM TEXTÃO (com tl;dr no final).
Tudo começou em novembro~ de 2018. Achei o perfil de uma moça no Instagram (não sei nem como) e comecei a seguir simplesmente pq achei ela bonita. Nem me dei ao trabalho de falar nada, ficava só vendo as fotos e stories.
Umas 3 semanas depois ela me seguiu de volta. Não faço ideia também, e agora nem sei se importa muito. Mas o fato é que por causa de um story dela, acabamos começando a conversar sobre várias coisas. E, sem surpresa alguma, comecei a ficar a fim dela. Afinal a moça não era só bonita, ela era bastante inteligente e divertida (GADO ALERT).
Papo vai papo vem, chegamos no Natal. Por volta de 23 de dezembro, ela me liga e me chama pra sair. Óbvio que fiquei mega ultra animado! Mas cheguei ao local e ela não estava lá. Ao mandar uma mensagem, sou batizado com a frase "estou na aula, não te avisei?". Fuck me.
Fiquei muito puto esse dia e estava disposto a largar mão do investimento. Mas ela não deixou barato: alguns dias depois veio falar comigo, perguntando pq não falava mais com ela. E o garoto apaixonado obvio que voltou a bater papo.
Ficamos nessa mais um tempo. No ano novo, passei com uns amigos e à meia noite chegou uma mensagem de vídeo dela. Abri mas não "ouvi", pois imaginei que era algo genérico. Só respondi com "haha feliz ano novo também" e pronto. Mas no dia seguinte, fui ouvir o vídeo e vi que não era genérico, era personalizado para mim com a moça falando que a resolução de ano novo dela era sair comigo.
Mais um pouco de esperança na vida do garoto. Mas ainda faltava aquela confirmação.
Confirmação essa que veio em meados de janeiro. Ela estava viajando, e enquanto conversávamos ela mandou aquele "gosto muito de você". Poxa, estava tudo armado. Mas ela voltou de viagem e ainda não a fim de me proporcionar o tão esperado date.
Com todos esses sinais malucos que eu não sabia interpretar, resolvi deixar ela de lado. Ela não quer nada mesmo, então vamos focar em outras coisas... mas ela não deixou barato de novo. Estou eu bem tranquilo em casa quando ela manda a mensagem "Pq você faz isso comigo?".
Óbvio que ela ficou falando que estava com saudades, que gostava de mim e queria saber se eu sentia saudades também. O gado aqui falou que sentia, e voltamos a conversar novamente. E é aqui que a trama fica mais densa: o papo estava, a meu ver, um pouco romântico demais.
"bom dia docinho", "pode me dar uma aliança" e outras coisas mais que me faziam pensar que o esquema estava quase fechado.
Fast forward para 25 de fevereiro. Ela me manda uma mensagem me convidando pra uma festa que ia rolar 01/03. Porra, quase postei no reddit que estavam todos convidados pro meu casamento! Fui todo animado, fiquei horas escolhendo a roupa (coisa que nunca faço em um date) e estava feliz.
Mas chegando lá, tomei um chá de espera. Fiquei preocupado, achei que ia me dar o bolo novamente, mas aguardei. Na terceira dose de whisky ela chega, para minha surpresa, e a noite começa. Mas não começa bem: ela não estava sozinha, estava com uns amigos. O que eu achei okay, afinal em uma festa quanto mais gente melhor.
Antes de continuar, quero abrir um parêntese. Como a maioria dos nerds desse nosso /Brasil, eu não sou fã de festas. Inclusive, essa foi literalmente a primeira festa que eu fui e só estava lá por causa da moça que disse que estava me convidando para não ir sozinha. E como não estava a vontade naquele ambiente, me apoiei na ideia de que ia conhecer ela e os amigos dela para uma noite divertida.
Errado. Ela não deu um pingo de atenção para mim. E eu sei que isso soa sentimental demais, mas se eu convido um amigo para algum lugar com gente que ele não conhece, vou fazer de tudo para que ele se sinta abraçado por aquele círculo. Então já que estávamos no que na minha cabeça parecia ser um encontro amoroso, eu esperava no mínimo esse nível de consideração.
Mas não teve. Então depois da terceira vez que ela chamou os amigos dela para ir a algum lugar e eu me vi seguindo aquelas pessoas que provavelmente não me queriam lá, eu fiz o que qualquer pessoa semi-sensata faria: fui pra casa.
E não foi tão simples assim. Como acabei ficando sem bateria no celular, não podia chamar um Uber. Tive que sair da festa e encontrar um táxi que me levasse à rodoviária às 03h40 da manhã. Ao chegar lá, descobri que só tinha ônibus para minha casa a partir de 06h. Então fiquei quase 3h sentado no chão frio da rodoviária, vendo uma mulher ser assaltada (sério) e depois de pagar 50 reais numa viagem de táxi de 10min para sair da festa aonde a mulher que me chamou não me dava bola.
Foi bem fácil uma das piores noites da minha vida.
Chegando em casa, nem estava tão puto/chateado. "História para contar", pensei. Até que consigo carregar meu telefone e tem várias mensagens da moça me procurando e dizendo que ela estava muito triste comigo por eu ter saído. Sim, ELA estava TRISTE. Aí sim, eu fiquei puto.
Mas mantive a classe. Só comentei que não estava muito a vontade, e como fiquei sem bateria não pude encontrá-la. Fui o mais polido que consegui. Entretanto, a moça estava chateadíssima! "Eu não merecia nem um tchau?!" dizia ela.
Isso foi dia 02/03. Hoje são 06/03 e ficamos esses dias todos só falando disso, de como estávamos ambos tristes pelo que aconteceu. E é aqui que eu queria chegar: eu sou o c*zão por ter largado ela lá?
Ela disse estar muito muito chateada, mas eu sinceramente não vejo assim. Não deu certo, e eu fiz o que achei melhor. E quando eu comentei com ela que se fosse o contrário, que se eu a chamasse pra um lugar eu não a deixaria no canto, ela me diz "você não precisaria ser minha babá".
Então por causa disso e de outras coisas, ela deixou claro que eu fui o errado da história. E agora, minutos antes de eu escrever esse post, disse para ela que como já tinha dito o que me chateou e que tinha pedido desculpas, eu não podia fazer mais nada. E a resposta foi: "agradeço".
Agora me diga você, amigo leitor. Eu fui o errado? O que você faria no meu lugar?
TL;DR: Uma moça que parecia gostar de mim me chamou pra uma festa mas não deu bola. Como achei que ela não tinha gostado de me conhecer fui embora numa boa. Mais tarde, descubro que ela está chateadissima e acha que eu que fui o errado.
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2018.10.03 17:48 maia125 Introdução à realidade.

Introdução à realidade: lições de vida e conselhos para o quotidiano—
Criei este post para que pudéssemos partilhar lições de vida que aprendemos à nossa custa, ou em alternativa, ao vermos os outros errarem.
Vou começar com uma bastante básica: agora percebo o porquê de pessoal mais velho dizer "se soubesse o que sei hoje, tinha estudado mais".
E vocês, que lição de vida querem partilhar?

Edit: lições sugeridas nos comentários
  1. Estudar mais;
  2. Verificar se há papel higiénico na casa de banho;
  3. Nunca deixes de dar uma, se tiveres oportunidade para tal;
  4. Nunca tomar nada por garantido;
  5. O que os outros pensam é pouco relevante para o futuro;
  6. Se és o mais inteligente da sala, muda-te. Ou percebes que não eras tão inteligente ou tornas-te mais completo num outro sítio;
  7. Os amigos muito raramente são para sempre e às vezes acabamos por trabalhar demasiado em manter a amizade;
  8. Procura um trabalho onde te sintas apreciado;
  9. Ler pelo menos 30 minutos antes de dormir;
  10. Não fazes a mínima ideia do que é sentir medo enquanto não tiveres temido pela vida/futuro de um filho;
  11. O mundo está nos detalhes;
  12. Larga a Internet;
  13. Onde se ganha o pão não se come a carne;
  14. Não faças aos outros o que não gostavas que fizessem a ti;
  15. Deve-se masturbar uma vez por dia.
  16. Pensa antes de fazer algo, mas faz. Mesmo que falhes. Vais aprender algo e fazes melhor na próxima vez. Arrependimento por não fazer é lixado. Obviamente que não estou a falar de fazer coisas ilegais, que podem por em perigo a tua saúde e/ou a de terceiros, etc.
  17. Sê paciente. Não vale a pena esperar resultados imediatos. Estabelece objectivos e trabalha de forma incremental para os obter. Faz as coisas passo a passo, assegurando que cada passo contribui para atingir o objectivo.
  18. Cultiva a curiosidade. Sempre que vires algo que não percebes (na rua, na net, no jornal, a falar com amigos, etc.), não sejas apático: questiona. Tenta encontrar a resposta. Dica: perguntar é uma excelente maneira de obter respostas.
  19. Usa protector solar. Todos os dias.
  20. Aprende a tocar um instrumento musical. Não precisas de ser um músico, mas saber algo de música e tocar um instrumento musical é pessoalmente muito gratificante e quase sempre valorizado pelos outros.
  21. Se tens muito stress na vida, uma actividade física intensa é uma excelente forma de descarregar toda a frustração e hormonas e começar um novo dia com tudo isso para trás.
  22. Se fizeste merda e ninguém viu, não fizeste merda. Se alguém viu, admite e pede desculpa.
  23. Não faças sacrifícios por um chefe (ou trabalho) que não quer saber assim tanto de ti
  24. Não faças aos outros o que não gostavas que fizessem a ti
  25. O caminho longo faz-se dando um passo de cada vez. Se deres um hoje, amanhã o percurso é mais curto.
  26. Questiona qualquer informação que te for apresentada.
  27. Nunca confies totalmente em quem quer que seja, somente na família próxima
  28. Não te deixes enganar pela aparente realidade local
  29. Não te gabes se não consegues cumprir. Porque se dizes que fazes e aconteces, alguém vai querer ver resultados. E depois alguém vai fazer figura de urso.
  30. Pratica um desporto/atividade física que gostes e come de forma saudável.
  31. Não abdiques das 8 horas de sono
  32. Façam um check-ups regularmente.
  33. Não podes mudar o mundo. Aceita isso, ainda que continues todos os dias a tentar fazer coisas boas para a sociedade.
  34. Sê grato/a e percebe que isso não significa que não ambicionas mais para ti / para a tua vida.
  35. Não tenhas problemas em mostrar à tua família e aos teus amigos o quanto gostas deles.
  36. Ninguém tem o direito de roubar o nosso bem-estar emocional. Se vês que isso te está a acontecer, e por muito que te custe, corta relações com essa pessoa e faz por ti. Não tenhas vergonha de pedir ajuda.
  37. Na maioria das vezes, o pior que pode acontecer não é assim tão mau.
  38. No início de carreira escolhe um bom mentor em vez de um bom salário. Um bom mentor ensina-te boas práticas e ajuda-te na progressão de carreira. Como em tudo, equilíbrio é importante. Um bom mentor ou um excelente salário são coisas diferentes
  39. Seguir o teu coração, é sempre mais certeiro do que propriamente seguires o teu cérebro.
  40. Vai a um psicólogo, paga uma ou outra sessão.
  41. Se estás no secundário/prestes a entrar para a faculdade, ou até já na faculdade e nunca soubeste ao certo o que querias nem és mesmo apaixonado por uma área em específico, pesquisa muito bem sobre empregos bons (ótimos por vezes!) que nem requerem nada de especial para entrar, a não ser o limite de idade que no futuro te impedirá de concorrer ou o facto de nos primeiros meses/anos ter que se ir para outra cidade e enquanto és jovem não tens muito a perder.
  42. Faz o melhor de ti, mas nunca dês tudo de ti a algo q não merece essa atenção.
  43. Comer fruta e vegetais enquanto podes nunca se sabe o que pode aparecer mais tarde
  44. Começa a poupar desde cedo.
  45. Se alguém é injusto para contigo, não fiques calado, fala mas sem ser mal educado
  46. Uma pessoa abusiva/tóxica não é sempre abusiva, não desculpes o dano que te causam por uma ou duas boas ações.
  47. Faz voluntariado
  48. Façam sempre exames de rotina, incluindo colonoscopias, etc após os 50.
  49. Se tens algo de errado contigo e os sintomas duram uma semana vai ao médico
  50. Se tiveres fungos nas unhas, trata disso antes que tenhas de andar a tomar caixas de antibióticos e 3 meses a limá-las.
  51. Façam por experimentar coisas novas, nem que seja só um sabor de gelado ou uma receita.
  52. Aproveitem a vida, façam umas viagens de vez em quando.
  53. O que não tê solução resolvido está. Não vale a pena perder sono com isso.
  54. Aprender a como investir o seu dinheiro desde cedo. Educação Financeira é tudo.
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2018.07.13 00:27 Guilherme_marquess Literatura - Contos

Boa noite comunidade do reddit Brasil, já faz algum tempo que venho pensando em publicar um livro de contos, a minha ideia é produzir uma série de contos que envolvam temas que estão em pauta na sociedade atual e assuntos que são pouco abordados, temas como estupro, assassinato, machismo, racismo, incesto, suicídio, temas que acontecem no cotidiano, aparecem nos dados, mas as pessoas em sua maioria mesmo conhecendo algum caso, deixam de lado. Ainda preciso evoluir muito na questão da escrita, mas trago para vocês uma pequena amostra do que tenho escrito. Quem possuir alguma dica construtiva, indicação de alguma forma de conhecimento que possa ajudar-me, ficarei grato.
Nunca teve muitos desejos desde de pequeno e adolescente, conformava-se com qualquer situação onde se encontrava. Não sentiu interesse em entrar em uma faculdade, também não em conseguir um trabalho que lhe pagassem bem, afinal nunca foi de gastar muito com qualquer coisa. Trabalhava em uma empresa de ônibus local, conseguiu o emprego depois de concluir seu ensino médio, permaneceu anos na mesma linha e no mesmo horário, nunca cogitando trocar de emprego e se quer alterar a linha que fazia, gostava daquele, era perto de sua casa e tinha uma carga horária menor que as demais linhas.
Todos os dias passava pelos mesmos locais, conhecendo cada pessoa que entrava nas paradas durante o percurso, sentia falta quando alguém não entrava, conseguiu até fazer umas amizades que puxavam assunto de vez enquanto. Conhecia cada local, cada casa, cada loja, conhecia tudo o que existia e que havia sido construído depois que começou a trabalhar naquela linha. Era uma pessoa extremamente pontual, sempre acordava, arrumava-se, andava alguns metros até chegar na garagem dos ônibus, cumprimentava todos os funcionários do local, fazia sua oração e saia exatamente 7:30, não saia um minuto antes e se quer um minuto depois, sempre pontual e chegando nas paradas no horário previsto, quando possuía afinidade com algum passageiro e sabia que ele estava chegando, encontrava um modo de atrasar um ônibus e rever a pessoa entrando em seu ônibus, era um dos seus pequenos motivos de felicidade.
Trabalhava anos naquela profissão, uma das únicas mudanças durante 50 anos de trabalha foi troca de cobrador, pois ele que conseguiu passar em um concurso público para trabalhar na capital e uma mudança de ônibus porque com o péssimo estado de algumas partes da cidade, ônibus acabou sendo afetado. Durante os anos de profissão, ocorreu algumas greves por um salário melhor, greves para melhorar as pistas e segurança para os motoristas que frequentemente passavam por péssimas experiências por causa de pessoas que entravam mostrando ser passageiros e depois disso, anunciavam um assalto e levava os pertences dos passageiros e dinheiro guardado no caixa, mesmo com todos esses acontecimentos, não concordava com as manifestações, afinal, nunca tinha acontecido com ele, sendo assim, algo que não lhe afetava, assim como o valor do salário e a qualidade das estradas, estava perfeitamente satisfeito com as péssimas condições e gostava de ficar observando o que acontecia durante o percurso e olhar a expressão dos passageiros pelo retrovisor que de vez enquanto, sorriam para ele.
Sua família era muito simples, filho único, seu pai era policial e ganhava um salário suficiente para manter as coisas em casa e sua mãe por ter sofrido um acidente, tinha sido invalidada e passado o resto de sua vida em casa. Perdeu ambos muito cedo, seu pai acabou sendo baleado enquanto estava sem serviço e sua mãe por uma péssima alimentação e poucos exercícios, desenvolvido uma doença nos músculos e falecendo alguns meses depois. Ele nunca foi muito próximo de ambos e ficou mal por algumas semanas mas depois disso, tornando-se e continuando em sua profissão focado como desde o começo. Algumas vezes chegou a conversar com algumas moças, mas nunca tendo amado de verdade, muito menos se apaixonado, não sentia interesse em qualquer forma de relação e algo do gênero nunca fez falta, acabou passando a vida só e mesmo assim, sem esposa, namorada, sem amigos, apenas mantinha contato com seus colegas de trabalho mas nenhum dessas interações, jamais saindo do âmbito de seu trabalho, era apenas por necessidade.
Naquela mesma cidade, morava um garoto que sempre mostrou ser uma pessoa bastante curiosa, perguntava para seus pais sobre o que causava cada coisa, sobre o mundo, sobre o universo, sobre as pessoas, sempre lia livros de fantasias e cada vez mais interessava-se por cada coisa aparecia para seus olhos. Estudava em uma escola pública da região mas frequentemente faltava por causa da falta de professores, mas sempre que conseguia, fazia de tudo para conseguir chegar em sua aula. O ônibus que pegava era o mesmo da linha do motorista, sempre fica observando aquele senhor, por vezes escutou os passageiros comentarem que ele era sozinho, também que a sua rotina se baseava no trabalho e sua casa. Sempre se perguntava se ele era feliz daquele modo, porque a vida dele era assim e se algo tinha levado ele a viver daquele modo, era realmente um mistério para ele e todos os dias se pegava pensando nisso. Muitas pessoas parecem possuir um passado interessante e também uma vida mas quando conhecemos sua verdadeira face, não existe muitas coisas que realmente podem nos impressionar como esperávamos. Era esse o caso mas a imaginação do jovem lhe proporcionava imaginar milhares de coisas sobre o senhor que mal conhecia e todos falavam mal.
Um dia o garoto ficou até tarde acordado escrevendo um trabalho, precisava da nota para passar na matéria e então mesmo lutando contra o sono, permaneceu acordado. Seus pais lhe acordaram e mesmo com sono, fez suas atividades matinais, tomou seu banho e despediu-se dos pais, logo depois caminhou até a parada próxima e esperou o ônibus. O ônibus estava com poucas pessoas, algo que raramente acontecia mesmo sendo uma cidade com poucas pessoas, então pensou que poderia tirar um cochilo antes que o ônibus chegasse em sua parada. Encostou próximo ao vidro colocando o seu casaco como uma espécie de travesseiro e fechou os olhos, depois de alguns minutos caindo no sono e por estar cansado, passando direto da sua parada, acordando apenas no terminal. Ficou extremamente preocupado por não conhecer aquele local da cidade e também por perder os pontos que precisava para passar no bimestre. O motorista que sempre pensava sobre a vida, estava no ônibus, então saiu pela porta de trás e entrou novamente no ônibus, sentando-se nos bancos atrás do banco do motorista e aproveitando a falta de movimento e a oportunidade de matar parte de sua curiosidade, olhou para o senhor e então disse:
- É verdade o que dizem sobre o senhor? - O que dizem sobre mim? - Que o senhor não tem família, que tem muitos anos que sua vida é apenas dirigir esse ônibus e descansar até o outro dia em sua casa.
O senhor ficou sem expressão por alguns segundos, olhou nos retrovisores e então calmamente respondeu o garoto:
- Desconheço porque dizem essas coisas sobre mim, não importa o que faço fora daqui e também, o que faço da vida, mesmo assim, é verdade, perdi meus pais muito cedo e trabalho nessa profissão tem um bom tempo, mas isso não é algo que você ou alguma outra pessoa precise se preocupar.
O garoto achou grossa a resposta do senhor que sempre era tão calmo, esperava que ele respondesse que era uma mentira, possuía expectativas que fosse apenas um boato de pessoas que não conseguem conversar sobre algo mais interessante. Mesmo assim, não estava decepcionado com a cruel verdade sobre o senhor que idealizou uma vida fantástica, não desistiu de continuar com suas perguntas, na verdade, ficou empolgado e perguntou:
- Mas por qual motivo sua vida é assim? Digo, porque nunca pensou em fazer outra coisa? Porque continua fazendo as mesmas coisas? Isso não lhe torna infeliz?
- Pelo contrário, eu gosto de todas as coisas que faço, tudo isso que vivo, foram minhas escolhas, continuo bem fazendo isso, nunca parei para pensar em fazer outra coisa. Sou bem feliz com a minha vida, espero que consiga ser feliz do mesmo jeito que eu sendo sincero, ainda possui muito para viver, é jovem, cheio de pensamentos, cheio de vontades, espero que faça bom uso disso tudo. Tenho que continuar prestando atenção no trânsito, não seria bom caso eu batesse em algum carro por descuido.
O garoto ficou frustrado, não era o que esperava, não conseguiu encontrar nada demais, sem grandes feitos, sem grande aventuras, não era o que ele imaginava. Então, apenas dirigiu-se para os bancos traseiros, sentou-se e ficou lá até sua parada. Apenas uma das primeiras decepções que alçamos esperar demais de coisas que não possuem muito para nos apresentar, mesmo assim, valendo a pena conhecer .
Depois de passar boa parte do tempo pensando nos questionamentos do jovem, o senhor terminou a sua linha e caminhou até sua casa. Trocou de roupa e esquentou a comida que tinha guardado do dia anterior, sentou-se no sofá e ligou sua pequena televisão. Depois de jantar, parou para pensar sobre o seu dia, mesmo com poucas coisas interessantes, sempre cultivava esse hábito. Pensando sobre porque as pessoas falavam mal dele mesmo ele sempre esforçando-se para agradar as pessoas. Não compreendiam porque esperavam mais coisas sobre a vida dele, também as críticas por trás do seu estilo de vida. Ficou minutos pensando nisso até que caiu no sono, depois disso, nunca mais pensou nessa questão. Continuou mantendo sua rotina, seu estilo de vida, por mais alguns anos seguidos sem mudar absolutamente nada além dos pratos preferidos por ter desenvolvido diabetes por sempre mascar balas enquanto dirigia.
Anos mais tarde, teve sua aposentadoria forçada por causa de políticas dentro da empresa referente ao tempo de permanência no emprego. Mesmo contra sua vontade, teve que abandonar seu emprego e deixar tudo aquilo que ocupava todo o seu cotidiano. Com uma expressão triste, pegou algumas coisas que guardava em seu armário, seu escapulário que estava no retrovisor do ônibus e seus ex-colegas de trabalhos. Voltou para sua casa, sentou-se e pensou sobre o que poderia fazer agora que encontrava-se sem emprego e o que poderia fazer com o salário da aposentadoria e as econômicas que conseguiu durante todos os anos trabalhando como motorista. Como já estava tarde, decidiu dormir e pensar sobre o que faria de sua vida, deitou-se e em um sono tranquilo, adormeceu sem muita preocupação, o que viria depois ainda não estava claro para o velho senhor toda a complicação.
Depois que acordou involuntariamente continuou sua rotina, até perceber que depois dos hábitos que cultivava em sua casa nada mais teria para fazer. Quando a nova realidade apareceu mais clara em sua mente, mais fresca e todo o vazio que restava depois disso, lhe abalou como um terremoto abala um prédio e tudo o que resta é esperança de que continue em pé mesmo com todos os danos que deixam marcam em sua estrutura. Se manteve parado em frente a sua porta, pensando para onde iria, o que faria, se perguntando o que poderia fazer em sua casa, mas não chegava em nada demais, nunca se preocupou com alguma espécie de entretenimento, nunca ficou muito tempo além da noite descansando dentro da sua casa. Dentro de todo aquele vazio sem pessoas, sem cor, encarava a porta, pensando em tudo o que poderia existir lá fora, mas uma dúvida enorme apresentava-se para ele, mesmo tendo andando por anos naquela cidade, conhecia apenas os locais por onde sua linha passava, conhecia apenas as pessoas que entravam em seus ônibus e os seus colegas de trabalho. Percebeu que aqueles pequenos locais, era o seu mundo, que as pessoas, não passavam de um mero cenário, passou anos dentro de uma realidade que se quer conhecia, toda a perspectiva de conhecer, uma ilusão. Todo o entretenimento que poderia ter, perdeu-se com o tempo em seu próprio mundo sem se quer ele perceber, sem conhecer nada, mesmo vivendo anos, sem ter feito nada mesmo com muitas coisas para fazer e com tanto dinheiro acumulado que não foram gastos com absolutamente nada. Andou pelos cômodos de sua casa, não tinha nada que tinha produzido, não tinha nada que comprou e muito menos que recebeu de presente de alguém, nenhum feito, nenhuma memória feliz, nada que ele poderia observar e reconhecer como algo que fez sua vida valer a pena.
Saiu da sua casa e andou pela rua, não reconhecia o que as pessoas estavam dizendo, não reconhecia o que as pessoas estavam vestindo, com tantos anos estando na direção de um ônibus, não sabia onde cada uma das outras linhas levavam e pensava se os motoristas tinham uma vida como a sua, se as pessoas sentadas no banco do passageiro, pensavam o mesmo que o jovem anos atrás que atualmente deveria estar adulto comentou sobre o que falavam sobre ele e ele tão preso em sua rotina não foi capaz de perceber. Sentia-se uma pessoa de outro mundo, outra realidade, sentia-se distante de todo aquele mundo onde permaneceu anos inserido que agora, depois de tudo, parecia algo totalmente novo. Pensava sobre o que poderia ter feito, como tudo poderia ter sido diferente, se agora estaria mais feliz, se agora poderia sentar-se em uma mesa e contar para a juventude tudo o que aprendeu, tudo o que viveu, tudo o que absorveu do mundo. Agora não tinha a mesma saúde, não tinha o mesmo tempo, sua conta dinheiro para viajar para qualquer lugar, comprar o que quisesse, visitar algum local que gostasse, mas não conhecia nada, se quer tinha escutado falar, também, não poderia convidar alguém para uma conversa, não conhecia ninguém, não poderia compartilhar algo que sentia, não tinha vivido nada que lhe despertasse amor, felicidade, prazer, muito menos uma pessoa que pudesse escutar tudo o que depois de ter percebido o enorme vazio que tinha criado, era como aquelas pessoas e locais que apareciam durante o seu percurso, encontravam-se lá, mas eram desconhecidas, não conhecia sentimentos, memorias, olhares, gestos, o que amavam, suas comidas e músicas favoritas, seus momentos felizes, seus pensamentos, sua história, estavam lá, mas ao mesmo tempo, não eram nada, depois de sumirem da visão, nada restaria daquelas pessoas, assim como depois que partisse, não teria feito, nada teria criado, nada teria conhecido, se encontraria no mesmo estado dos primeiros anos da sua vida de imaturidade, indecisões, inocência, anos de vida e nada vivendo. O senhor apenas pensava se poderia ainda viver o que não viveu, fazer algo que compensasse todo o tempo que perdeu, se ainda restaria algo para sentir, viver, conhecer, se o mundo que todos os dias se apresentava poderia lhe fazer sentir tudo o que não tinha sentido.
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2017.11.29 20:20 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 3

Galera, finalmente postando a última parte da saga. Depois de pensar para caralho, resolvi falar com ela pelo Facebook e marcamos de nos encontrar num café pertinho da praça onde nos esbarramos. Para quem não conhece a história desde o começo:
Parte 1 - TL/DR: sou casado, reencontrei uma garota por quem eu era apaixonado há 12 anos e só nesse reencontro eu percebi como eu fui um imbecil com ela. Em resumo, nós éramos grandes amigos, eu fiquei com medo de me declarar, meti o pé do curso de inglês que fazíamos sem dar nenhuma explicação e desapareci completamente da vida dela.
Parte 2 - TL/DR: comecei a me perguntar se aquela garota que eu reencontrei realmente era ela, já que ela parecia tão mais velha. Depois de dezenas de tentativas, achei ela no Facebook e sim, realmente era ela. Descobri que um amigo meu já tinha saído com uma prima dela há muito tempo e soube que ela teve uma vida bem escrota, foi abandonada por um marido meio babaca e agora basicamente vivia só pelo filho na casa dos pais.
Parte 3 - Taí. Nos reencontramos. Foi uma experiência que eu não sei classificar. Foi feliz, foi triste. Foi amargo, foi doce. Foi impressionante. A gente chorou um pouco junto. Escrevi um pouco ontem à noite e terminei hoje de manhã.
Só queria agradecer a todos os conselhos e dicas que recebi aqui. Reencontrar alguém do passado é uma coisa que mexe muito com a gente, faz com que nosso coração se sinta naquela época novamente. Essas quase três semanas foram muito estranhas. Foi quase uma viagem no tempo por coisas que eu achava já ter esquecido completamente. Infelizmente não posso dividir muito disso com amigos próximos, então fica aqui o desabafo.
Esse último ficou mais longo do que eu esperava. Honestamente, a gente conversou tanto que acho que resumi até demais. Como da primeira vez, fiz em formato de conto. Novamente, obrigado a todo mundo que deu um help nessa história, que finalmente se fechou.
Era um café bonito. Novo da região, era um daqueles negócios em que você vê o coração de um sonho do dono. As mesas rústicas de madeira, as lâmpadas suspensas que desciam do teto em fios de prata, como teias de aranha tecidas por vagalumes. O quadro negro cuidadosamente preenchido com os preços e até desenhos estilizados de alguns pratos. No fundo, um jazz instrumental marcava presença de forma tênue. Também era um daqueles negócios que você sabe que não vai durar muito. Que você bate o olho e pensa: “com essa crise, é melhor eu dar um pulo lá antes que feche”.
Eu presto atenção a cada detalhe ao meu redor. À roupa preta das atendentes, ao supermercado do outro lado da rua que vejo pela vitrine. Aos clientes que entram e saem de uma loja das Casas Pedro. Eu não quero esquecer de absolutamente nada. Era um ritual meu que fiz pela primeira vez aos 14 anos. Sempre tive boa memória, mas naquela época eu me esforcei para colocá-la inteiramente em ação. Era um verão e eu estava prestes a reencontrar uma prima que, anos atrás, fora minha primeira paixão. Ela nos visitava de anos em anos e, três anos após trocarmos beijos juvenis debaixo do cobertor, ela havia acabado de chegar à casa dos meus avós, onde se hospedaria.
Naquela noite, eu não consegui dormir. Por volta das 4h da manhã, peguei meu cachorro e caminhei 15 minutos em meio à madrugada até a casa da minha avó. Não, não fui fazer nenhuma surpresa matinal ou pular a janela em segredo. Eu apenas fiquei do outro lado da rua e observei tudo ao meu redor. “Eu vou lembrar desse reencontro para o resto da minha vida”, pensei, do alto dos meus 14 anos. “Eu quero lembrar de cada detalhe”.
E até hoje eu lembro. Da rua cujo chão estava sendo asfaltado, mas onde metade da pista ainda exibia os bons e velhos paralelepípedos. Das plantas da minha avó balançando ao vento, o som singelo dos sinos que ela mantinha na varanda e davam àquilo tudo um clima quase de sonho. Do meu cachorro, fiel companheiro que viria a morrer dois anos depois, sentado ao meu lado com metade da língua para fora. Do frescor da madrugada que precedia o calor inclemente das manhãs do verão carioca.
Mas não é dessa memória - e nem dessa paixão - que eu falo no momento. Eu falo dela. Dela, que eu reencontrei depois de tanto tempo. Que eu julgava já ter esquecido. Que, apenas mais de dez anos depois, eu percebi que tinha sido um babaca ao desaparecer sem qualquer despedida. Mesmo que ela jamais tivesse segundas intenções comigo, mesmo que fosse apenas uma boa amiga, eu havia errado. E aquela era o dia de colocar aquilo, e talvez mais, a limpo.
Foram três semanas de tortura comigo mesmo. Desde que achara seu perfil no Facebook e ouvira de um amigo em comum notícias de uma vida triste, seu rosto não me saía da cabeça. Ao menos uma vez por dia, eu pagava uma visita ao seu perfil e mirava aqueles olhos. As fotos, quase todas ao lado da mãe e do filho pequeno, tinham um sorriso fugaz encimado por olhos dúbios, tristes. Eles lembravam-me de mim mesmo. “Você tem um olhar de filhote de cachorro triste, por isso consegue tudo que quer”. “Você parece feliz, mas sempre que para de falar por um tempo, parece ter uns olhos tão tristes”. “Essa cara de pobre-coitado-menino-sofredor é foda de resistir, dá vontade de levar para casa e dar um banho”. Eu já havia perdido a conta de quantas vezes ouvira aquilo das minhas ex-namoradas e ficantes da faculdade. Os dela não eram muito diferentes. Quando ela finalmente apareceu, com sete minutos de atraso, eu pude perceber.
Meu coração parou por uma fração de segundo e depois disparou, como se os sineiros de todas as catedrais que haviam dentro de mim tivessem enlouquecido. Era engraçado como algumas pessoas passavam vidas inteiras sem mudar o jeito de se vestir. Ela ainda parecia com aqueles sábados em que nós nos encontrávamos no curso de inglês: os tênis All-Star, a calça jeans clara, uma camiseta simples - de alcinha, branca e com corações negros estampados - e o cabelo com rigorosamente o mesmo corte. “Talvez por isso que foi tão fácil reconhecê-la, mesmo depois de todo esse tempo”, pensei. Ou talvez eu reconhecesse aquele rosto e aqueles olhos - antes tão vivos e alegres - em qualquer lugar. Eu jamais saberia.
Como qualquer par de amigos que não se vê há milênios, falamos de amenidades no começo. Casei, separei. Sou funcionária pública, ela dizia. O relato do meu amigo, eu descobria agora, não estava perfeitamente certo. Ela não havia se demitido do trabalho, apenas se licenciado por algum tempo. “Fui diagnosticada com depressão”, ela admite, sem muitas delongas ou o constrangimento que tanta gente tem sobre o tema. “Meu casamento estava indo muito mal e eu desabei. Mas agora tá tudo bem”. Não estava, não era necessário ser um especialista para notar aquela tristeza escondida no canto do olhar.
Falei da minha vida para ela também. Contei que a minha ex-namorada que ela conheceu não deu certo e que, naquela época de fim da adolescência e início da vida adulta, eu tinha muita vergonha de falar sobre o que eu passava. Ela praticava gaslighting comigo, tinha crises de ciúme incontroláveis, me fazia sentir um crápula por coisas que eu sequer havia feito. “Você parecia tão feliz com ela”. “Eu finjo bem”, admiti. “E eu tinha vergonha de mostrar para os outros o que passava. Homem dizendo que a mulher é abusiva? Eu não queria que ninguém soubesse”.
Após quase meia hora de amenidades, eu exponho o elefante na sala de estar. Na verdade, quem começa é ela. Quando a adicionei no Facebook, falei que tinha esbarrado com ela na rua e que ficara com vergonha de cumprimentá-la na hora. Mas que queria muito revê-la depois de tanto tempo, tomar um café, falar sobre a vida. “Por que você sumiu?”, ela pergunta, no meio de um daqueles silêncios que duram mais do que deveriam. Eu tremi por dentro, mas não havia como continuar escondendo.
No começo, falei o básico. Que era de família humilde, como ela bem lembrava, e que o parente que pagava meu curso havia descoberto um câncer. Poucos meses depois, eu perdi meu emprego. Tudo isso num intervalo curto, de três ou quatro meses e perto da virada do ano. “Me ligaram do curso e ofereceram um desconto. Eu era pobre, mas sempre fui orgulhoso. Naquela época, era mais ainda. Burrice minha. Se bobear, eles iam acabar me oferecendo uma bolsa”. “Eles iam”, ela responde. “O Francisco - dono do curso - era maluco por você. Você era um ótimo aluno”. Ela dá um gole no mate que pediu. Meu café esfria ao meu lado. “Mas por quê você não falou nada comigo?”, ela continua.
Eu sabia que estava num daqueles momentos em que poderia mudar radicalmente o dia. Porque eu poderia ter mentido. “Eu não falei porque fiquei com vergonha de ter perdido o emprego”. “Eu não falei porque eu estava muito triste: parente próximo com câncer, desempregado, meu relacionamento com uma pessoa abusiva”. Eram mentiras com um pouco de verdade, mas não revelavam o grande problema. Naquele fim de tarde, eu escolhi não mentir. Nem me esconder. E eu já tinha ensaiado essas palavras dezenas de vezes nas últimas semanas.
“Olha, eu não sei se dava para reparar na época ou não. Não sei era muito óbvio, sinceramente. Mas eu era completamente apaixonado por você naquele tempo. Eu passava a semana inteira pensando no dia em que a gente ia se encontrar, trocar uma ideia no curso, caminhar junto até a sua casa. E eu tinha uma vergonha absurda disso. Eu tinha namorada, você tinha namorado e estava para se casar. Então eu achava errado expor aquilo, ser claro. E eu achava que você não gostava de mim. Eu tinha auto-estima muito baixa e esse relacionamento com essa ex-namorada abusiva só piorou as coisas. Eu me sentia um lixo, então achava que você não ia ligar se eu sumisse. Que ninguém ia ligar se eu sumisse. E foi o que eu fiz. Mas, se você quer uma versão curta da resposta, é essa: eu era completamente apaixonado por você naquela época e quis sumir, sair correndo”.
Enquanto eu falava aquilo tudo, a boca dela se abriu em alguns momentos. Às vezes parecia surpresa, às vezes parecia que ela tentaria falar alguma coisa que se perdia no caminho. Eu fazia esforço para olhá-la nos olhos, mas era difícil. Mesmo depois de todos esses anos. Tentei dar a entender com o tom de cada palavra que aquilo era uma coisa do passado, que não me incomodava mais, que agora eu queria apenas revê-la e saber como andava a vida.
O desabafo foi seguido de um silêncio que tornava-se mais pesado a cada segundo. Havia alguma coisa fervendo dentro dela, dava para ver. Foi aí que os olhos dela brilharam mais do deveriam, lacrimejando. Quando vejo aquilo, sinto que o mesmo vai acontecer comigo, mas me seguro. Ela vira o rosto e olha para além da vitrine, onde um ponto de ônibus está lotado com os clientes do supermercado e estudantes recém-saídos de suas escolas, o trânsito lento e infernal. A acústica é tão boa no bar que o caos de fim de tarde do outro lado do vidro parece uma televisão ligada no mudo. Quando ela me olha de volta, vejo que ela não faz qualquer esforço para esconder os olhos marejados.
“E você nunca me contou nada? Nem pensou em me contar?”.
Eu não sei quantos de vocês já ficaram sem notícias de um parente ou de alguém que você ama por muitos anos. Aconteceu comigo uma vez, com uma tia que desapareceu por quase 10 anos no exterior e reapareceu após ser mantida em cárcere privado por um namorado obsessivo. A sensação é estranha. É como descobrir que um livro que você tinha dado como encerrado tinha uma continuação secreta. As memórias de hoje se misturavam com as de 12 anos atrás, da última vez que li esse livro. Ela começou a contar tudo.
Ela, como eu já disse antes, era o meu ideal de felicidade. Casara cedo, tivera filho cedo, empregara-se no serviço público cedo. Era tudo com o que eu sonhava. Eu sempre quis constituir uma família, ter uma vida simples, ter um filho cedo para poder aproveitá-lo ao máximo. Mas a falta de dinheiro e a busca por uma parceira ideal sempre ficaram no caminho, assim como a carreira. O problema é que ela tinha uma vida muito diferente do que eu imaginava, muito mais parecida com a minha à época.
Acho que já deixei claro o quanto eu era apaixonado por ela no passado. Ela não era bonita nem feia, tinha o tipo de rosto que se perde na multidão sem ser notado. Filha de pai negro e mãe branca, era morena e tinha o cabelo liso levemente ondulado, quase até a cintura. Quando éramos adolescentes, ninguém a elegeria a mais bela da turma, mas dificilmente negariam que tinha seu charme. Eu a achava linda.
Mas ela, como eu, era o tipo de pessoa que tinha a auto-estima no fundo do poço. Como eu, também cresceu em um lar bem humilde. Também colecionou desilusões amorosas. E, como todo mundo já sabe, isso te transforma em um alvo perfeito para relacionamentos abusivos. O namorado dela, assim como a minha namorada à época, era muito bonito e manipulador. E ela achava que ele era a única pessoa que gostava dela, o único que lhe daria atenção. E isso fez com que, por anos, ela suportasse tudo que aconteceu entre eles. Traições, brigas, mentiras, chantagens, ameaças de abandono, ciúmes doentios. A história deles dois era tão parecida com a minha história com minha primeira namorada que eu fiquei assustado. Só que, diferente de nós, eles casaram. Eles colocaram um filho no mundo.
Ele só piorou com o nascimento da criança. Ele não era mau com o filho, ela dizia. Era um pai carinhoso, inclusive. Mas o pouco amor e bondade que ele tinha por ela transferiu-se todo para a criança. Vivia para o trabalho, para o filho e para os amigos.
“A gente chegou a ficar sem se falar por meses”.
“Morando na mesma casa e sem se falar?”.
“Sim. Nem bom dia. Nada. Eu me sentia um fantasma”.
Na contramão dele, ela dobrava-se para dentro de si própria. Abandonou a faculdade para cuidar do filho enquanto o marido formou-se com seu apoio fiel. Vivia para o filho e tinha seus problemas conjugais menosprezados pela família. “É coisa de garoto, ele vai melhorar”. “Homem quando acaba de ter filho é sempre assim”. “Vai passar”. Mas não passou, só piorou. As traições recorrentes evoluíram para uma equação desequilibrada de álcool e uma amante fixa no trabalho que ele sequer fazia questão de esconder. Ele anunciou que ia deixá-la, convenceu-a de que era um bom negócio vender o apartamento que eles haviam comprado. Racharam o dinheiro e ele foi viver a vida. Ela voltou a morar com a mãe, agora viúva.
O filho, nitidamente a coisa mais importante daquela mulher, tornou-se a única razão para viver. A pensão que a mãe recebia era baixa, o salário dela também não era bom. A pensão que o marido dava ajudava a manter uma vida extremamente funcional e sem luxos. As roupas eram das lojas mais baratas. Viagens não existiam. O único gasto relativamente alto era com uma escola particular de qualidade para o filho. O resto era sempre no básico.
Contei para ela sobre o meu sonho de casar cedo, de ter uma vida tranquila e estável. Falei que eu admirava muito a vida que ela escolheu no começo, que era a vida que eu queria ter vivido. A grama realmente é mais verde no jardim do vizinho, ao que parece.
“Mas a sua vida parecia tão tranquila, tão perfeita”.
“A minha?”.
“A sua namorada naquela época era uma menina tão bonita, eu lembro dela. Loira, bonita de corpo. Até lembro que ela fazia medicina e ainda era dançarina. Eu achava ela linda, perfeita. E você… você era sempre tão fofinho. Carinhoso e atencioso com todo mundo. Inteligente pra caralho, nem estudava e tinha as notas mais altas em tudo. Todo mundo gostava de você, todo mundo queria ser seu amigo e você nem se esforçava para isso”.
“Eu não lembro disso…”.
“Porque você não se achava bom. Você tinha 16, 17 anos e sentava para conversar de igual para igual sobre cinema e livro com uns professores de 40 e poucos anos. Você parecia fluente conversando com os professores em inglês e espanhol enquanto a gente tentava chegar perto disso. Passou no vestibular de primeira. Você não percebia, mas você era o queridinho de todo mundo. Você não era o garoto malhado bonitão, você era o garoto charmosinho e inteligente que todo mundo gostava. Eu gostava de você também. Gostava mesmo, de verdade. Eu tinha uma paixãozinha por você. Mas eu achava que eu não tinha a menor chance. Eu achava que eu merecia o meu namorado. Que eu era feia, ruim. Que ele estava certo em me falar aquelas coisas”.
“Eu era completamente apaixonado por você”, eu respondo. “Eu pensava em você todo dia”.
Engraçado como as pessoas se veem de maneira tão diferente. Eu me definia de três formas quando a conheci: eu sou gordo, eu sou feio, eu moro num dos bairros mais pobres e violentos da cidade. No dia seguinte, de manhã, eu olharia minhas fotos de 12, 14 anos atrás e me surpreenderia com quem eu via ali. Eu era bonito, só um pouco acima do peso. Com 16 anos, eu já era o barbado da turma antes de barba ser coisa hipster. Na foto do colégio, uma das últimas do terceiro ano, eu parecia tão dono de mim, tão no controle. Eu tinha aquela cara de inteligente e rebelde. Por dentro, eu era completamente diferente. Inseguro, assustado, sem auto-estima alguma e com uma namorada abusiva.
São sete e meia e a noite já começa a cair no horário de verão. Educadamente, uma das atendentes nos indica que a galeria onde o café funciona vai ser fechada em breve. Eu pago a conta e nós ficamos meio perdidos, sem saber o que fazer. Ela ainda tem os olhos inchados, eu também. Os funcionários da loja nos olham de forma surpreendentemente carinhosa, não sei o quanto eles escutaram do desabafo.
Saímos em silêncio do café, ela atendeu a uma ligação da mãe. Minha esposa estava fora do estado e só voltaria dali a alguns dias, então eu estava bem relaxado em relação às horas.
“Não sei se você precisa voltar para a casa por causa do Hugo, mas tem um bar aqui perto que é bem vazio a essa hora. A gente pode sentar pra conversar”, eu digo.
“A gente tem mais coisa para conversar?”. Ela pergunta sorrindo, não vejo nenhum traço de mágoa no seu rosto.
“Claro que tem. Doze anos não se resolvem em duas horas”.
Fomos para um bar pequeno ali perto, um que eu costumava frequentar nos tempos de faculdade. Nos tempos em que eu pensava nela e não me achava capaz de tê-la. Ele pouco havia mudado de 12 anos para cá: a mesma atmosfera que fazia dele aconchegante e levemente depressivo ao mesmo tempo. Era um bar das antigas, com azulejos portugueses azuis e poucos frequentadores. O atendimento era excelente e o preço razoável para a região, mas aquela estética de 40 anos atrás parecia espantar os frequentadores mais jovens. Os poucos que iam lá, no entanto, eram fiéis. Como eu fui no passado.
Nos sentamos no fundo do bar vazio em plena terça-feira e desnudamos nossas vidas um para o outro. “Eu quero saber quem você é”, eu comecei. “A gente falava sobre um monte de coisa, mas eu não sei nada sobre você. Sobre sua família. Sobre sua infância, quem você é. E você não sabe nada sobre mim”. Ela riu. “Você é maluco”. “Não, só quero te conhecer melhor. Compensar por ter sido um babaca há doze anos”.
A conversa foi agridoce. O que mais me assustava era como tínhamos origens semelhantes, desde a família até a criação. Os dois criados no subúrbio do Rio de Janeiro, os dois de famílias humildes que, por conta da pobreza e da necessidade de contar uns com os outros, permaneciam unidas. Primos de terceiro ou quarto grau criados próximos, filhos que casavam e formavam suas famílias nas casas dos pais. Assim como a minha família, a dela investiu tudo que tinha para que ela estudasse em um colégio particular até que eventualmente ela passou para uma escola pública de elite.
Nossas duas famílias tinham essa estranha tradição carioca que mistura catolicismo, umbanda e espiritismo, um sincretismo religioso que eu, como ateu, tenho dificuldade em entender - mesmo tendo crescido nesse meio. Assim como eu, achava-se feia, indesejada na adolescência. Isso fez com que rapidamente trocasse o mundo cor de rosa pelo rock e pelos livros. No meu caso, eu acrescentaria videogames e RPG, mas o resto não mudava muito.
“Na minha escola, tinha muita patricinha, muito playboy. Eu não aguentava eles. E eles sabiam que eu era pobre, então não se misturavam muito comigo”. Contei a minha versão para ela. “Eu gostava de ler, RPG e jogar videogame. Mas eu era muito pobre, fodido mesmo. E isso tudo era coisa de gente com grana na época, né? Então eu acabei ficando amigo dos nerds na época por conta dos gostos comuns. Eu tive sorte, demoraram a perceber que eu era pobre. Eu tenho toda a pinta de gente com grana, essa cara de europeu que engana. Quando perceberam que eu era duro, foi só no segundo grau. Ali eu já era um pouco mais cascudo, tinha bons amigos”. Ela não.
Era tudo tão igual que, em dado momento, eu parei de falar que havia sido igualzinho comigo. Eu esperava ela terminar a parte dela. Falava a minha. E intercalávamos nossas histórias, os dois surpresos com as semelhanças. Provavelmente a grande diferença era a vida dela após ter o filho e abandonar a faculdade. Ela trabalhava em uma repartição pública onde tinha 20 anos a menos do que a segunda funcionária mais nova, se afastou dos amigos. Era estranho conversar com ela. Não usava redes sociais praticamente, apenas para trocar mensagens com parentes distantes e mostrar fotos do filho para eles. Não via séries, não tinha Netflix - só novelas. Não conhecia bandas novas, não era muito de ir ao cinema. Era uma sensação estranha, mas parecia que boa parte da vida dela tinha parado em 2006 ou 2005. Os hábitos dela e poucos hobbies pareciam os de uma pessoa de 50 e poucos anos.
Me doeu imaginar o que poderia ter sido, o que poderíamos ter feito juntos, como poderíamos ter sido bons um para o outro. Pensei na minha esposa, que tem um perfil familiar radicalmente diferente do meu. Ela vem de uma família de classe alta, só com engenheiros e funcionários públicos de elite. O mundo dela era muito diferente do meu, tão diferente que às vezes me assustava. Famílias que não se falavam e que, mesmo endinheiradas, brigavam por herança e cortavam laços de vida por conta de bens que eles não precisavam. Todos católicos ou evangélicos, sem exceção. No máximo um ou outro ateu escondido no armário, como eu.
Essa diferença nos causava estranhezas, pontos de atrito que me surpreendiam. Quando eu elogiava a decoração de uma festa, ela falava do preço e da empresa que a produziu. Ela sentia uma obrigação social em aparecer em eventos familiares ou do círculo social deles, de ser e parecer uma boa esposa. Eu só queria estar onde eu estava afim e quando eu estivesse afim, nunca vi a família como uma obrigação social. Eles discutiam herança entre irmãos com os pais bem vivos, nós nos preocupávamos em fazer companhia à minha mãe quando meu pai morreu. Já era meio subentendido que abriríamos mão de qualquer coisa e deixaríamos tudo para minha mãe, tendo direito ou não.
Havia uma preocupação com patrimônio, normais sociais e aparências que, por muitas vezes, me assustavam. Muitas vezes ela parecia desgastada ou enojada com isso também, mas fazia porque alguém na família tinha que fazer, porque era tradição, porque sempre foi assim. Eu assistia àquilo atônito, impressionado como uma família tão numerosa quanto a minha - com literalmente dezenas de primos e tios até de terceiro grau que moravam em um mesmo bairro - era tão mais simples e unida do que uma dúzia de endinheirados que pareciam brigar por coisas fúteis.
Ela, que estava ali do meu lado, não. Tudo que ela me contava soava como uma cópia fiel da minha família, apenas em escala ligeiramente menor. Pensei em como as coisas seriam simples ao lado dela, despreocupadas, tranqulas. Que eu não passaria a vida sendo julgado pela família da minha companheira como o ex-pobre com pinta de hipster que conseguiu ganhar algum dinheiro, mas não tem muita classe nem é muito cristão, como nos últimos anos.
As palavras que saíram da boca dela depois de uns dois ou três copos de cerveja poderiam muito bem ter sido lidas do meu pensamento. “Você acha que a gente teria sido um bom casal? Que a gente ia se dar bem?”.
“Não tem como saber”, eu respondi. “Mas a gente pode imaginar”. E a gente começou a brincadeira mais dolorosa da noite, imaginando como seria se tivéssemos ficado juntos 12 anos atrás.
“Eu jogava videogame para caralho, você ia se irritar. E eu ia te pentelhar para jogar comigo”, eu comecei.
“Eu gostava de videogame, só não jogava muito. Eu ia te arrastar para show da Avril Lavigne e da Pitty, você não ia gostar”.
Eu sorri. “Eu não tenho nada contra as duas”.
“Britney e Justin Timberlake também”.
“Porra, aí você já tá forçando a barra, amor tem limite”.
Falamos sobre meus primeiros estágios, sobre como eu era maluco e fazia dois estágios e faculdade ao mesmo tempo. Saía de casa às cinco da manhã e voltava às onze da noite. Tudo para conseguir ter uma grana legal, já que na minha área os estágios eram ridiculamente baixos. Ela falava sobre a rotina de estudos para concurso, sobre como foi difícil conciliar a faculdade - que ela eventualmente abandonou por causa do filho - com o recém-conquistado emprego público. Eu falava do meu início de carreira, que foi bem melhor do que eu jamais imaginara, como subi rapidamente. Como eu achava estranho ganhar a grana que eu ganhava - que não era nada extravagante, garanto - mas meus hábitos simples faziam com que eu mal gastasse metade do salário. Ela falava da depressão que tomou conta dela ao perceber que estava num emprego extremamente burocrático e ineficaz, deixando-a incapaz de buscar outras alternativas. Falamos sobre a morte dos nossos pais, que parecem ter conspirado para falecer no mesmo ano.
Em algum momento, a cabeça dela repousou no meu ombro. Eu não soube o que fazer. Pensava apenas na minha esposa, em jamais ter traído ela nem nenhuma outra mulher. Foi aí que eu percebi que ela chorava e, novamente, eu chorei também.
“É engraçado a gente ter saudade de algo que a gente não teve”, eu disse, lembrando de um livro que eu li há muito tempo.
“Acho que a gente seria um casal do caralho”, ela disse, com um inesperado sorriso entre as lágrimas.
“Ou talvez a gente se detestasse e desse tudo errado, a gente nunca vai saber”.
“A gente nunca vai saber”, eu repeti, mentalmente. Como um vírus, a ideia se espalhou dentro de mim rapidamente. “Eu posso fazer uma diferença na vida dessa mulher, na vida do filho dela, na própria família dela. Eu posso ter uma vida mais tranquila ao lado dela, sem essas picuinhas de família rica. Minha esposa pode encontrar um homem muito melhor para ela. Um cara rico, cristão e que tenha a classe e pose que a família dela tanto quer. Isso pode acabar bem para todo mundo”.
Mas não podia. Lá no fundo, eu sabia que não podia. Eu tinha quase uma década de história com minha esposa. Eu tinha um casamento plenamente feliz atrapalhado por alguns poucos problemas familiares e inseguranças minhas. Tínhamos uma química ótima, gostos parecidos para livros e filmes, nos dávamos bem na cama. Valia a pena jogar aquele relacionamento tão bom e funcional - algo que me parece cada vez mais raro hoje em dia - por uma aventura fugaz? Um remorso do passado? Em um relacionamento com uma estranha que eu estava voltando a conhecer havia algumas horas?
“Você nem a conhece”, dizia a cabeça. “Ela é igual a você”, dizia o coração.
No fim das contas, eu segui a cabeça. Conversamos até quase dez da noite. Pegamos um Uber e fiz questão de deixá-la em casa, um prédio pequeno em um bairro abandonado do subúrbio. Quando o carro parou, ela se demorou um pouco do meu lado e, por impulso, eu segurei a mão dela. Ela me encarou assustada e ansiosa. Eu pensei em beijá-la, em ligar o foda-se e jogar tudo para o alto ali mesmo. Mas eu só desci do carro com ela na rua deserta e caminhamos juntos para dentro do prédio, sem saber exatamente o que a gente estava fazendo. Pedi para o motorista me esperar e disse que depois acertava uma compensação com ele.
“Eu vi o seu Facebook. Você é casado com uma mulher linda. E inteligente. Você não vai me trocar por ela. Nem eu quero acabar com o seu casamento”.
“Você acha ela linda e inteligente?”.
“Você sabe que ela é”.
E então eu desabafei. Falei que passei as últimas semanas reavaliando meu casamento e meu futuro, encarando a foto dela no Facebook de tempos em tempos. Que meu coração quase parou quando encontrei-a pela primeira vez. Que eu gostava de tudo nela. Da dedicação como mãe, da simplicidade, dessa aura de pessoa correta que ela exalava sem fazer esforço, desse espírito suburbano e familiar que ela tinha. Dos olhos dela, tão animados no passado e tão tristes agora. De como eu estava me segurando para não beijá-la naquele dia todo.
“Você é linda. Eu sei que você se acha feia, eu sei que você acha que ninguém vai se interessar por você. Mas você é uma mulher foda, e nem preciso subir para saber que você é uma mãe foda, uma filha foda. Não deixa a vida passar. Eu tenho certeza que tem mais gente que, igual a mim, já percebeu isso em você e não sabe como falar. Não faz de novo a mesma coisa que a gente fez lá atrás. Eu só queria que você soubesse disso porque eu acho que você merece ser muito mais feliz do que você é agora. E você não tem ideia de como você me deixou maluco esses dias todos. Eu sou bem casado com uma mulher linda sim, mas só de encontrar você eu tive vontade de jogar tudo para o alto”.
Foi um monólogo mais longo do que eu esperava. De novo, ela chorou. Dessa vez, eu contive as lágrimas. O abraço que partiu dela foi um dos melhores e mais tristes que já ganhei na minha vida. Havia ali uma história de amor não vivida, saudades de uma história que jamais colocamos no papel, de um mundo que nunca existiu. Ela me apertou forte e eu sentia minhas mãos tremerem.
Encostamos as laterais do rosto um do outro, aquele prenúncio de um beijo adiado. E que tive que usar todo auto-controle do mundo para manter adiado. Me afastei, olhei nos olhos dela, sorri e fui embora. Quando o Uber saiu, ela ainda estava parada na portaria e minhas mãos ainda tremiam.
Eu não sei se essa história acaba aqui ou não. Mas eu tenho quase certeza que sim. Algum dia eu vou contar tudo isso para a minha esposa, mas vou esperar esse sentimento morrer primeiro. Eu conheço ela o suficiente para saber que, em um bom momento, ela não ficaria triste com essa história. Eu até consigo imaginar a reação dela, repetindo a frase que ela me diz desde que a gente casou. “Eu te conheço. Você não vai me trair com alguma gostosona oferecida por aí. Se alguma coisa acontecer, você vai se apaixonar por alguém. Eu te conheço, você é romântico. Mas a gente se resolve”.
Quando cheguei na minha casa vazia, sentei e escrevi quase tudo isso de uma tacada só. Sem revisão, sem pensar muito. Eu acho que eu poderia escrever dezenas de páginas sobre os detalhes da conversa, mas isso aqui já está longo demais. Antes de dormir, eu vejo que tenho uma mensagem no Whatsapp.
“Foi muito bom encontrar você”.
Toda aquela tentação de falar algo mais grita dentro de mim, se debate.
“Foi bom te ver também :) “.
Por via das dúvidas, coloquei o celular em modo avião e suspirei. “Eu tô feliz ou triste?”, me perguntei. Parece uma pergunta simples e relativamente objetiva, mas eu não soube responder. Eu custei a dormir, com medo de sonhar com ela. Quando eu acordo no dia seguinte e me preparo para ir ao trabalho, a impressão que eu tenho é de que tudo foi um sonho. Vê-la, reencontrá-la, chorar, abraçá-la.
E, como quando a gente acorda de um sonho triste, eu volto a viver minha vida normal para esquecer. Hoje tem reunião com cliente. À noite, preciso pegar minha esposa no aeroporto.
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2017.06.01 17:25 Jukeboss- Quando eu fiquei com a garota que eu gostava, mas tudo deu errado

Bom dia. Há alguns dias atrás, aqui no /brasil, presenciei um ato de coragem, no qual uma user relatava uma crônica escatológica de altíssimo nível. Não tenho como intuito superar tal drama, queria poder não ter passado por tal situação. Se o meu eu de hoje encontrasse o meu eu daquele fatídico dia, diria: não vá. Mas, isso não aconteceu e eu fui para o que deveria ser uma noite de diversão, mas foi de uma série de acontecimentos errados, dignos de roteiro do Fargo.
Em um sábado, durante a tarde, estava conversando no MSN (rip) com uma guria no qual eu gostava desde o primeiro dia do ensino médio. Estava no último ano, então podíamos dizer que eu era BFF dela, embora eu quisesse tentar algo desde sempre, nunca havia tido a oportunidade, dado que ela só ficara solteira havia pouco tempo e dito que queria ficar de boas. Papo vem, papo vai, ela usando o famigerado “vs” para o você. Eis que ela me convida para um evento. Bom, não foi exatamente um convite, e sim um

vou lá no hoje a noite com umas amigas, vai tbm pra gente se veeeer”.

Disse que pensaria no assunto, porque precisava cuidar da casa. Na verdade eu tinha partida combinada com o clan de DotA no RGC, e àquela altura da situação entre nós, eu já tinha desistido dela ficar comigo.

Acabou que de última hora, algum escroto (eu te odeio com muita força, cara, você podia ter feito eu evitar tudo isso) desmarcou a partida de dotinha e não fechamos um time. Olhei pro relógio e dava tempo de ir pra festa, só teria que arrumar uma carona. Mandei mensagem pra 4 chegas, perguntando quem ia e quem poderia me dar carona. Arrumei uma carona que chegaria em 20 minutos. Me aprontei com a minha melhor vestimenta, uma camisa preta, um jeans escuro e um coturno preto (nada descolado, porque naquela época o conceito hipster era novidade até em cidade grande, então tudo que eu sabia usar era preto). Passei meio litro de perfume, só muitos anos depois descobri que isso é tão ruim quanto não passar perfume. A carona buzinara lá fora e prossegui para o evento.

Entrei com o colega da carona. Não era exatamente uma festa, mas um daqueles barzinho com espaço bem amplo pro povo tentar se pegar numa suposta pista de dança, enquanto tocava música eletrônica. Acho importante ressaltar que eu nunca me dei bem com esse tipo de ambiente, sempre fiquei muito nervoso em locais cheio de estranhos, abafado etc. Eu mal havia entrado e já não me sentia bem, queria ir embora. Já havia me arrependido de ter ido, mas teria que aguardar a carona, porque era distância de quase uma hora andando de volta pra casa.
Como não tinha mais jeito, pensei "tá no inferno, bora sentar no colo do capeta”, comprei um copo enorme de cerveja (ou pelo menos era o que estava escrito num cartaz rudimentar) e fui bebendo, enquanto andava pelo local totalmente perdido, já não sabia mais onde estava meu colega. Eis, que encontrei a garota no qual eu era apaixonado e ela estava absurdamente linda, eu nunca havia visto ela tão arrumada e com vestes tão curtas. Bebi toda a suposta cerveja de uma só vez, voltei até o balcão e comprei outra. Respirei fundo, estufei o peito, fiz força com o braço flexionado, pra parecer fortão (estava enganando quem?), segurando o copão de cerveja, ajeitei a postura e caminhei lentamente até ela. Estava me sentindo confiante. Era hoje! E realmente era, eu só não sabia exatamente a que custo. Na minha cabeça, estava andando como um daqueles caras de comercial de carro importado, que chegam no local todo pimposo e as mulheres se derretem, mas na realidade acho que eu deveria estar marchando igual um pato em direção a pata.
Ela me viu, sorriu, ou riu, não tenho certeza hoje em dia. Dei um beijo naquele belo rosto, erramos os lados e quase nos beijamos. Ela riu. Nós rimos. Ela pediu licença para as amigas e nos sentamos numa espécie de puff para dois. Lembro que ela ficava ajeitando a barra do vestido. Nem sequer lembro o que conversarmos, só sei que eu fui bem virjão e falei que gostava muito dela, que ela estava linda etc. E ela sorria muito. Reparei que as amigas estavam todas olhando pro nosso rumo, de forma nada discreta. Não sei exatamente o que aconteceu. Só percebi que ela veio pra cima e nos beijamos. Ficamos cerca de 10 minutos nos beijando. Ela se afastou, sorriu e disse que precisava ir ao banheiro. Concordei, me ofereci de acompanhar ela até a porta, ela disse que não precisava, mas que logo voltava. Ela mal levantou do puff e eu senti o demônio, ou melhor a legião toda. Foi numa única repuxada dentro do intestino que eu percebi que as coisas não estavam bem. Mal tive tempo pra dar aquele soquinho no ar de vitória por ter beijado a guria, pois minhas mãos se concentravam em apertar a barriga. Levantei rapidamente pra ir até o banheiro masculino, que era no sentido oposto do feminino. Andei até lá segurando o brioco, num movimento muscular de fecha e trava. E a barriga assoprava a trombeta dos 13 infernos, com barulhos que não sabia que era possível vir de dentro de um ser humano.

Logo que me aproximei do banheiro, avistei uma fila que me fez lacrimejar, era enorme. Parei atrás da última pessoa na fila, enquanto suava frio e tremia, e toda minha concentração física, psíquica, mental e espiritual se concentravam em tentar travar o anus com mais força possível. Eu mentalizava “vai dar, se concentra, calma, tu consegue, você vai conseguir, força”. E cerca de infinitos 30 segundos que nunca passavam, percebi que eu não iria sobreviver naquela fila. Eu tinha que sair daquele lugar, o mais rápido possível. Me dirigi ao caixa, que como era muito cedo ainda, não tinha fila. Dei minha comanda, paguei as cervejas. Havia dado 30 reais, somando a entrada, devo ter dado 50 na mão da mulher. Não esperei por troco, não era humanamente possível, já não estava pensando, só agia. O pensamento estava totalmente concentrado em confabular com meu intestino, tentando chegar a um acordo impossível.
Comecei a andar em direção a minha casa, tentando encontrar um banheiro público. Cada passo era uma repuxada de dor, eu seguia fazendo a milésima série de apertar e travar o anus. Minha camisa já estava toda ensopada. Andava como se tivesse pernas de pau, com medo de abrir demais as pernas e não conseguir controlar a situação. Após andar uma rua inteira, percebi que a situação estava mais controlável. Aparentemente eu estava ficando muito bom em dialogar com meu corpo. Me senti um daqueles monges do Tibete, que conseguem controlar a temperatura do corpo, ou algo assim. Experimentei acelerar o passo e consegui. Naquele momento eu era a pessoa mais feliz do mundo. Eu conseguia respirar mais calmamente e a dor cessara. Acontece que a felicidade é ínfima. Mal completei mais duas ruas e senti minha barriga vibrar e a legião voltara a urrar como se estivessem prontos para adentrar os portões celestiais, mas no caso era sair da minha bunda mesmo. Até aquele momento, nada havia saído, absolutamente nada. Mas no momento do vacilo, falhei em segurar um gás quente, foi breve, mas longo o suficiente pra perceber que algo estava morto dentro de mim há dias. Era um cheiro pútrido de morte, que fez meus olhos lacrimejarem e tive um ataque de ânsia. Voltei a tremer e apoiei numa parede. Percebi que não chegaria em um banheiro. Já tinha dúvidas se iria sobreviver. Sentia que a podridão estava se alastrando pelo meu corpo. Pensei em agachar ali na rua mesmo e deixar rolar. Quando dei por mim, havia carros passando, não era rua deserta, tão pouco era escuro o suficiente para que tivesse um mínimo de dignidade. Analisei minha situação. Precisava encontrar um local seguro, pois tinha certeza que não seria um momento breve. Olhei ao redor, enquanto tremia e exercia com muito mais afinco o apertar e travar. Vi muros altos, percebi que não conseguiria pular eles. Vi um muro mediano e também vi uma câmera de vigilância. Por fim, no outro lado da rua, vi uma bela residência, com muros baixos, cercadas por palmeirinhas. Era ali que o meu flagelo terminaria. Estava decidido, era o que o destino havia me reservado e eu o abraçaria com força.
Manquei até a entrada da residência, aguardei que não tivesse nenhum carro transitando na rua e encostei meu corpo na mureta, deixei que meu próprio peso me conduzisse pelo muro acima, não queria arriscar fazer movimentos acrobáticos enquanto todas minhas forças musculares se resumiam a um único músculo. Cai pelo outro lado, destruindo um canteiro de flores. Engraçado, é que naquele momento, tudo piorou. A dor, a intensidade dos barulhos, o suor, até a visão estava turva. Achei que fosse desmaiar ali mesmo. Comecei a desabotoar a calça, descer o zíper, apenas implorando por mais uns segundos de força. Então um carro passou e percebi que eu ainda estava exposto, pois quando um carro vinha em direção da casa, iluminava muito a mureta e a luz passava pelas palmeiras. Com medo de ser visto, denunciado ou coisa assim, fui agachado com as calças na altura da coxa, até a entrada da casa, que ficava em uma espécie de curva em L em relação ao portão, então não estaria mais exposto. Verifiquei as janelas e todas luzes estavam apagadas. Fui até o rumo da porta, pra verificar se não ouvia nenhum barulho lá de dentro. Ao me aproximar da porta, senti o tranco final. O músculo havia falhado e pude sentir todo o meu corpo cedendo, desistindo de mim e se entregando àquela fatídica bomba infernal. Vi um tapete escrito “Bem-vindo” e tentei puxar ele, mas lembrei que havia a cueca para puxar. Optei pela cueca. E senti aquela rajada descomunal sair. Era como se os piores cheiros do mundo estivessem em um só local e esse local fosse o meu intestino. Eram fezes com gases saindo com a pressão de um tiro de espingarda. O alivio foi mais instantâneo do que miojo. Eu já não tremia, já não sentia dores, tudo que eu fazia era torcer pra ninguém abrir a porta. O cheiro sequer me incomodava mais, era praticamente um perfume satânico, um presente pela sensação de estar finalmente livre. Devo ter demorado cerca de 10 minutos. Rasguei a cueca e tentei limpar o que dava, como minha bunda, minhas coxas, beirada do coturno. Não foi o suficiente, larguei a cueca ali mesmo, e usei as meias para acabar o serviço. Quando finalmente havia abotoado a calça, olhei o prejuízo. Eu havia pichado a metade inferior da porta com bosta. Já não era mais possível ler o “Bem-vindo” do tapete. Havia respingos até perto das janelas. Me senti muito mal naquele momento, mas por dentro sorria de satisfação, não pelo ato em si, mas sim por estar bem. Alguns minutos atrás pensara que morreria. Pulei o muro e segui até a minha casa, enquanto o fedor me acompanhava. Cheguei em casa, joguei a calça e a camisa no lixo, deixei o coturno de molho e tomei um belo banho, super demorado e me deitei, estava exausto. Então me lembrei da guria. Lembrei que não havia dito nada pra ela. Lembrei que as amigas dela devem ter me visto indo embora como se estivesse muito bêbado ou muito doente. Torci pra segunda opção, era mais fácil contornar doença do que álcool.

Domingo, entrei no MSN e ela não estava online. Fiquei o dia todo olhando e nada. Na segunda feira ela não foi pra aula. Na terça, descobri por um amigo, que ela havia voltado com o ex, que aparentemente no sábado ela tinha saído com umas amigas, deu bosta lá (mal sabia que era literalmente) e ela ficou super chateada, encontrou com o ex, eles conversaram e ele convenceu ela a dar mais uma chance. Ou seja, eu fui o alicerce pra ela voltar com cara. E me fiquei me remoendo por muito tempo que talvez podia ter sido eu o namorado dela, que ela deve ter pensado que eu só quis dar uns beijos e vazei. Nunca conversei com ela sobre isso, não consegui imaginar um diálogo em que eu poderia simplesmente soltar um “precisei cagar e vazei”. Hoje, acho que eu teria dito numa boa. A casa em que eu caguei? De uma senhora de 85 anos, mãe do delegado da cidade. Não deu BO de aparecer no jornal, mas o povo mais velho da cidade, ou envolvido nos problemas da mesma, ficaram tudo sabendo, e chamaram de “ato de vandalismo sem precedentes”. Ouvi até os meus pais conversando sobre isso, que o vandalismo chegara num nível absurdo, que ninguém respeitava mais nada. Queria poder levantar e dizer “E se foi uma pessoa muito doente, que naquele momento não conseguiu segurar e quis um pouco de privacidade?” Nunca disse nada. Fiquei sabendo que o delegado chegou a comentar que encheria de porrada no filho da puta que fez aquilo. Tive medo de ser descoberto, até evitei aquela rua por muito tempo. Meses depois, um dia precisei passar por lá e vi que a casa passara a ter o muro mais alto da rua, com cerca elétrica.

Gostaria de agradecer o espaço do /brasil por esse desabafo, de algo que guardei por quase 9 anos comigo. Recomendo que vocês façam o mesmo com o que está preso no peito, ótimo pra tirar o peso da consciência

TL:DR: Era afim de uma guria por três anos, consegui ficar com ela numa festa, tive uma dor de barriga, precisei fugir do local, não consegui chegar num banheiro, pulei numa casa pra cagar no quintal, acabei cagando na casa da mãe do delegado da cidade. E a mina voltou com o ex, porque pensou que dei um fora nela quando sumi (pra cagar).

Edit: Editei uns erros, arrumei a flair e corrigi o filha, era mãe, no final. :bad:

Edit 2: TLDR adicionado.

Edit 3: Obrigado pelo ouro ikkebr, não esperava.
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Ele (a) está apaixonado? +55 11 97131-1925 Flávio Augusto - Sobre estar apaixonado pelo seu trabalho Ele/Ela está apaixonado por outra(o)? ESTÁ APAIXONADO!!! *Que lindo* 10 sinais que o homem está apaixonado por você 7 SINAIS DE QUE VOCÊ ESTÁ APAIXONADO - YouTube COMO SABER SE VOCÊ ESTÁ APAIXONADO Ele(a) está apaixonado por mim? Tarô responde. Ele (a) está apaixonado por mim? Corresponde aos meus sentimentos, ou é uma ilusão?

Vitão faz brincadeira sobre estar apaixonado e fãs ...

  1. Ele (a) está apaixonado? +55 11 97131-1925
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  8. Ele(a) está apaixonado por mim? Tarô responde.
  9. Ele (a) está apaixonado por mim? Corresponde aos meus sentimentos, ou é uma ilusão?

WhatsApp para consulta 86-99549-9682 Ele (a) está apaixonado? +55 11 97131-1925 ... 50. Especial. Mensagem do universo ... SOBRE A PESSOA AMADA : O QUE DE FATO.ESSA PESSOA QUER COMIGO? SEM DISFARCES, SOMENTE A VERDADE !! ... ESTÁ APAIXONADO!!! 😱😍 *Que lindo* Tudo Sobre os Famosos. Loading... Unsubscribe from Tudo Sobre os Famosos? Cancel Unsubscribe ... 50:34. Couple Things with Shawn Johnson and Andrew ... 50+ videos Play all Mix - COMO SABER SE VOCÊ ESTÁ APAIXONADO YouTube TIPOS DE GAROTAS QUE VOCÊS NÃO QUEREM COMO NAMORADA - Duration: 9:56. EU FICO LOKO 1,389,188 views Informações sobre consultas 13-981763114, somente WhatsApp. #MensagemDoUniverso #TerapiaHolística Olá! Bem-vindos Seres Divinos! Sintam -se acolhidos aqui nesse espaço de Luz! Esse é um bom momento para você refletir sobre sua relação. Lembre-se: Os ... 50+ videos Play all Mix - Flávio Augusto - Sobre estar apaixonado pelo seu trabalho YouTube Flavio Augusto da Silva - Parte 1 - Maratona Valor PME 2017 - Duration: 46:39. Maratona Valor PME ... No vídeo de hoje, faço uma lista com os sete sinais de que você está apaixonado(a) por alguém. Vem cá conferir... ** • CONHEÇA OS MEUS LIVROS: “Coragem é agi... 7 Dicas De Como Saber Se Ele Está Apaixonado Por Você ... (Baseado em fatos reais) - Duration: 1:32:50. Rede Cósmica Recommended for you. 1:32:50. TUDO sobre a mente masculina - A verdade que ...